Venezuela reage a relatório dos EUA sobre direitos humanos

CARACAS (Reuters) - O governo da Venezuela repudiou na quinta-feira como falso e ingerencista o conteúdo de um relatório do Departamento de Estado norte-americano segundo o qual os direitos humanos do país sul-americano sofreram uma piora no ano de 2008. O documento, divulgado na quarta-feira, afirma que a politização da Justiça, o assédio à oposição política e aos meios de comunicação marcaram a situação dos direitos civis e democráticos na Venezuela, que mantém tensas relações diplomáticas com Washington.

Reuters |

"O governo da República Bolivariana da Venezuela ... rechaça da forma mais categórica e firme a publicação, por parte do Departamento de Estados dos Estados Unidos, de um relatório no qual se pretende avaliar o estado geral dos direitos humanos em diversos países do mundo, entre eles a Venezuela", disse o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela em uma nota.

Mais tarde, o chanceler Nicolás Maduro disse que Caracas fez vários chamamentos ao novo governo de Washington para que cesse o que chamou de "práticas imperiais", as quais, acrescentou, são repudiadas por todos os países da América Latina.

"Desconhecemos, repudiamos e rechaçamos qualquer tentativa desse relatório ou de qualquer outro informe de qualquer instância do Estado norte-americano de imiscuir-se nos assuntos internos da Venezuela," afirmou.

Em seu relatório anual que avalia a situação dos direitos humanos em 2008 em mais de 190 países, os Estados Unidos criticaram a China e a Rússia, além de outros alvos habituais, como Paquistão, Afeganistão, Coréia do Norte, Cuba, Irã, Iraque, Sudão, Somália, Mianmar e Zimbábue.

Caracas considerou "inadmissível essa prática recorrente da burocracia dos Estados Unidos, segundo a qual funcionários do serviço do Estado com o registro mais obscuro de violações à dignidade humana da história contemporânea pretendem se fazer, sem mandato nem legitimidade nenhuma, de juízes de outros Estados".

Da mesma forma, o governo do presidente Hugo Chávez rechaçou "o conteúdo falso, mal-intencionado e ingerencista" do relatório, cujas alegações, disse, carecem de fundamentos e constituem a expressão das "opiniões antivenezuelanas".

Maduro afirmou que os problemas internos serão discutidos entre os venezuelanos no momento e nas condições adequadas.

Chávez disse que espera melhorar as relações entre Caracas e Washington, mas advertiu a Barack Obama a não se equivocar em suas apreciações e opiniões sobre a "revolução socialista."

(Por Ana Isabel Martínez)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG