Venezuela proporá grande acordo energético entre África e América do Sul

Brasília, 12 jun (EFE).- A Venezuela, sede da próxima Cúpula de chefes de Estado e de Governo de África e América do Sul, proporá um grande acordo energético entre ambas as regiões, a fim de fortalecer o chamado eixo Sul-Sul, disseram hoje fontes oficiais.

EFE |

"No (hemisfério) Sul está 80% dos recursos naturais do mundo e 80% da população", por isso que "o Sul pode viver do Sul", declarou o vice-ministro venezuelano de Exteriores para a África, Reinaldo Bolívar, em entrevista coletiva em Brasília.

Delegações dos países da África e da América do Sul tiveram esta semana na capital brasileira um encontro preparatório para a Cúpula, que será realizado em novembro em Caracas ou na Ilha Margarita.

Na reunião de Brasília, o funcionário venezuelano disse que foi apresentada "uma centena" de propostas para o desenvolvimento de planos de cooperação entre ambas as regiões, que serão debatidos em encontros prévios à cúpula.

Bolívar disse que a Venezuela apresentou quatro propostas concretas nas áreas de energia; comunicação; ciência, cultura e educação; e finanças.

No primeiro caso, se trataria de criar um conselho energético, cuja missão seria estabelecer fórmulas de cooperação entre os países produtores e consumidores de petróleo na América do Sul e África, a fim de garantir o abastecimento aos mais pobres.

"Na África se produz hoje quase 15% do petróleo do mundo", disse o vice-ministro, ressaltando também o interesse da estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) para operar nesse continente, no qual também a Petrobras se expande.

Esclareceu que, no caso de a PDVSA se estabelecer em algum país africano, não representaria uma "concorrência" para a empresa brasileira, com a qual existem "excelentes relações" e "cooperação".

No caso da comunicação, a proposta aponta para a expansão da experiência da "Telesur", cadeia de televisão fundada e financiada pelos Governos da Venezuela, Argentina, Uruguai e Cuba, e estabelecer acordos de cooperação e troca com canais africanos.

"O Sul deve criar sua própria mensagem". África e América do Sul "devem fazer um esforço para se conhecerem mais", disse Bolívar, destacando as "raízes comuns" que existem entre ambas as regiões.

Acrescentou que a África se transformou em uma região de importância estratégica para a Venezuela, que há cinco anos só tinha relações diplomáticas com uma dezena de países desse continente e hoje tem com 53 das 54 nações.

"Só falta Madagascar, mas o acordo está em andamento", disse. EFE ed/ma

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