Venezuela prende oito colombianos acusados de espionagem

Oito colombianos foram detidos na Venezuela acusados de espionar o sistema elétrico do país com o fim de sabotá-lo, segundo informou nesta terça-feira o ministro de Interior e Justiça Tareck El Aissami. Segundo ele, no momento da detenção foram apreendidas uma câmara fotográfica com imagens de subestações elétricas, de sistemas de conexão energética e de infraestrutura do país, além de documentos escritos em inglês e outros elementos de interesse criminalístico.

BBC Brasil |

El Aissami não especificou o conteúdo desses documentos.

Os detidos foram colocados "à disposição" da Procuradoria Militar. Segundo o ministro de Interior e Justiça, as detenções ocorreram na semana passada. Dois colombianos foram capturados no Estado de Aragua e os outros seis no Estado de Barinas.

El Aissami disse ainda que era "preocupante" o fato dos detidos serem colombianos.

Desde o ano passado, Caracas e Bogotá arrastam uma crise diplomática devido à assinatura do acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos que permitirá aos militares norte-americanos utilizarem sete bases militares colombianas. Desde então, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, "congelou" a relação bilateral com o país vizinho.

Famílias
Familiares do grupo detido, negam as acusações. Milena Bedoya, familiar de quatro dos colombianos presos, disse à BBC Brasil que sua família se dedicava a administrar uma fábrica de sorvetes, instalada há 17 anos no Estado de Barinas.

Segundo Milena, seu padrasto, Luis Carlos Cossio e seu primo, Santiago Giraldo, viajaram à Aragua para entregar uma encomenda, quando foram detidos em um ponto de controle do Exército.

"Eles estavam viajando e Santiago aproveitou a paisagem e tirou fotografias sem se dar conta das torres de energia (...) e os acusaram de espionagem", afirmou Milena Bedoya, estudante, em entrevista por telefone à BBC Brasil.

Dias depois, a polícia fez uma batida na casa da familia e na fábrica de sorvete em Barinas, onde outras seis pessoas, incluindo a mãe de Milena, foram detidas.

Segundo Milena, as autoridades venezuelanas apreenderam os crachás de sua mãe e do padrasto, nos quais constavam que o casal havia trabalhado para a 4ª Brigada do Exército colombiano.

" Minha mãe trabalhava na farmácia e Luis Carlos trabalhava como médico ( na IV Brigada)", afirmou. " (As autoridades) disseram que eles haviam sido enviados pelo Exército da Colômbia a fazer serviço de espionagem".

Bedoya disse não conhecer os outros dois colombianos que foram detidos com o grupo.

Essa não é a primeira vez que colombianos são detidos na Venezuela acusados de espionagem. Em outubro do ano passado, a chancelaria anunciou a prisão de agentes do Departamento Administrativo de Segurança da Colômbia (DAS, agência secreta colombiana), acusados de atos de espionagem e conspiração contra o governo venezuelano.

Seca
O incidente ocorre em meio a uma severa crise energética do país, que levou o governo a decretar estado de emergência elétrica em todo o país e prolongar o feriado na semana santa em uma tentativa de economizar energia.

A Venezuela enfrenta a mais severa estiagem dos últimos quarenta anos. O governo atribui a atual crise ao fenômeno climático El Niño e ao desperdício de energia dos consumidores. Ao mesmo tempo, o Executivo responsabiliza os governos anteriores por terem criado um sistema energético dependente de hidrelétricas, no país que é o quinto maior exportador mundial de petróleo.

A represa que abastece a hidrelétrica do El Guri, responsável por 70% da geração de energia de todo o país, perde diariamente 14 centímetros de água e está a apenas 9,5 metros de alcançar seu nível crítico. Apesar disso, o governo afirma que o sistema elétrico "não colapsará".

Críticos ao governo, por sua vez, atribuem a atual crise à falta de investimentos no setor elétrico e de desenvolvimento de fontes de energia alternativas.

Desde o fim de semana tem chovido em pontos isolados do país, inclusive na capital Caracas, mas, por enquanto, especialistas ainda não declararam o fim do período de seca.

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