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Venezuela organiza patrulhas chavistas para mobilizar eleitores

Com uma lista na mão, batendo de porta em porta, centenas de milhares de venezuelanos simpatizantes do governo de Hugo Chávez estão realizando um trabalho de formiga para tentar aprovar a emenda constitucional que prevê o fim do limite à reeleição aos cargos públicos, proposta que será submetida à referendo no próximo domingo. A aprovação da emenda permitiria ao presidente venezuelano candidatar-se a um terceiro mandato em 2012.

BBC Brasil |

A tarefa desses ativistas chamados de "patrulheiros" é garantir que cada eleitor chavista compareça às urnas.

"Muitos cantam vitória antes do tempo e não saem para votar, outros andam desanimados e nosso trabalho é mobilizar, mostrar a importância desse referendo para a revolução", afirmou à BBC Brasil Josefina Hernandez, líder comunitária e chefe das patrulhas do setor de San Juan, no bairro de San Martin, em Caracas.

Um dos desafios neste referendo, tanto do governo quanto da oposição, é diminuir a abstenção para aumentar seu número de votos. As últimas pesquisas mostram que o governo lidera as intenções de votos, mas com uma apertada margem. No estudo da consultoria Datanálisis, 51,5% dos venezuelanos apoiam o fim do limite a reeleição, enquanto 48,1% rejeitam a proposta.

Os seguidores de Chávez calculam que a abstenção ocasionou a perda de mais de 3 milhões de votos a favor do presidente em apenas um ano.

Em 2006, Chávez foi reeleito com mais de 7,3 milhões de votos. Já no referendo para a reforma constitucional de 2007, quando o governo saiu derrotado, 4,3 milhões votaram a favor da proposta governista.

Neste mesmo período, a oposição conquistou apenas entre 100 mil e 200 mil votos, dado que revela que os 3 milhões de eleitores chavistas não migraram para o lado opositor, e sim deixaram de comparecer às urnas.

No ano passado, porém, o governo recuperou 1 milhão de votos nas eleições regionais, totalizando 5,5 milhões de eleitores. Esse cálculo foi o que permitiu ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, apostar que poderá vencer o pleito do próximo domingo.

Josefina Hernandez diz que dessa vez "não deixará escapar a vitória", como ocorreu em 2007. "Agora o povo está consciente e sabe o que quer", afirmou.

Cada ativista é responsável por localizar dez eleitores de seu bairro, onde realizam uma espécie de censo. "Passamos a conhecer todo mundo e sabemos quem é chavista e quem não é. Assim fazemos o mapa completo da comunidade e sabemos com quantos votos podemos contar", disse o artesão Nemia Martinez, um patrulheiro de 59 anos.

No dia do pleito, os patrulheiros devem observar o centro de votação do qual estão encarregados e identificar se o grupo de eleitores que estão sob sua responsabilidade realmente votaram. Logo depois, informam ao governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) os números da "boca-de-urna".

De acordo com o PSUV, mais de um milhão de patrulheiros estão trabalhando na campanha.

"Difícil mesmo é fazer campanha nos edifícios. A classe média não quer saber de revolução, não atendem a porta. Nossos votos vêm mesmo é da periferia", disse a patrulheira Ninuska Mendoza.

Enquanto subiam as íngremes ruas da favela de San Agustín, os patrulheiros foram abordados por uma mulher que pedia ajuda para levar seu marido ao centro eleitoral no próximo domingo. "Ele acaba de sair do hospital e não caminha", afirmou Amparo Giraldo, quem insistiu para que o grupo fosse visitar seu marido.

O casal vive precariamente em uma garagem que foi transformada em casa. Na cama, Luiz Cerezo, que é submetido a sessões semanais de radioterapia, disse que não pode deixar de votar no domingo. "Nossa revolução tem que continuar e eu confio no Chávez", afirmou, enquanto escutava o discurso do presidente transmitido ao vivo pelo canal estatal.

Os patrulheiros se despediram de Cerezo com a promessa de que viriam buscá-lo em um carro para levá-lo ao centro de votação.

Para a oposição, a campanha tem sido marcada por desequilíbrios devido ao uso da máquina estatal em favor da opção do "Sim".

Durante uma reunião com o gabinete de ministros, nesta terça-feira, Chávez argumentou que é "obrigatório para a revolução" garantir uma vitória com ampla margem de votos, para evitar que a oposição "cante fraude".

"Todo mundo votando, que não fique um homem honesto sem votar pelo 'sim'", afirmou o presidente.

"Trabalhamos em um contexto de uma campanha desigual e abusiva, mas fazemos com a convicção de que exercendo o voto ganharemos e defenderemos o direito dos venezuelanos", afirmou em entrevista coletiva Leopoldo López, ex-prefeito do município de Chacao, um dos que formam a Grande Caracas.

A campanha da oposição é baseada em programas e spots de televisão transmitidos nos canais opositores ao governo, mensagens de texto por internet e telefone e panfletagem nos semáforos. Abordagem que não se compara à estrutura governista, que além de recursos, conta com a propaganda permanente liderada pelo próprio presidente.

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