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Venezuela: Oposição volta a dizer não à reeleição sem limite

Criatividade, mobilização e patrulhamento do voto - essas são as iniciativas disponíveis com as quais a oposição na Venezuela tenta rejeitar o processo de reeleição sem limite de mandatos, no referendo de domingo, numa campanha já desgastada, dois meses depois das eleições regionais.

AFP |

"A oposição acaba de ganhar importantes espaços (de poder) e eleições tão próximas evidentemente a deixam em desvantagem, sobretudo pelo desgaste da campanha pelas regionais do ponto de vista humano e econômico", reconheceu Luis Planas, secretário do partido Copei (social-cristão), à AFP.

Uma semana depois das eleições regionais e municipais de 23 de novembro, nas quais a oposição perdeu numericamente, mas se impôs em lugares importantes do país, o presidente Hugo Chávez autorizou o governista Partido Socialista Unido (PSUV) propor uma emenda à Constituição que permita a reeleição sem limite de mandatos para os cargos emanados das urnas.

O projeto de emenda foi aprovado formalmente pelo Parlamento - sob controle do PSUV- no dia 14 de janeiro, e para que entre em vigor deve ser ratificado em referendo.

Para a oposição, a proposta é inconstitucional, pois a questão já foi rejeitada em dezembro de 2007, num referendo sobre uma ampla reforma constitucional que incluía 69 artigos.

O slogan "não, é não" tem "um conteúdo muito claro. A emenda violenta a vontade popular porque volta a indagar sobre a reeleição para a qual já dissemos não", afirmou Leopoldo López, jovem e carismático dirigente do Partido Um Novo Tempo (UNT, social-democrata) e ex-prefeito de um município de Caracas.

Mas sem "outra alternativa a não ser votar", os adversários de Chávez começaram a articular sua mensagem em torno de pontos fracos da gestão governamental.

"Com a emenda não se come, não se progride, não se luta contra a insegurança e nem se garantem empregos, saúde, habitação e educação", explicou Andrés Velásquez, do Causa R (centro-esquerda), acrescentando que a proposta é apenas uma desculpa de Chávez para "tornar constitucional" sua permanência no poder.

Para Manuel Rosales, da UNT, que foi adversário de Chávez nas presidenciais de 2006, "a emenda não é só sobre a reeleição. Esconde o início do que seria um país com um sistema castrocomunista. Por trás, vem a eliminação da propriedade privada", considerou.

"Aqui o Estado é o Golias e o cidadão, o David. Temos à disposição a pontaria do voto para enfrentar os atropels do governo", disse Leopoldo López.

Nos últimos dias, as forças contrárias a Chávez formaram uma rede de vigilância do processo eleitoral de domingo.

As pesquisas mais confiáveis prognosticam um resultado apertado, por isso tanto governistas como opositores coincidem em que a mobilização de eleitores neste domingo será importante para uma vitória eventual.

"Nenhum processo eleitoral é de vida ou morte, mas acho que se ganhar o 'não' o presidente deve garantir a reconciliação do país", estimou Henrique Capriles do partido 'Primero Justicia' e governador do populoso estado Miranda (centro).

Para López, independentemente dos resultados de domingo, a oposição tem diante de si o desafio de se recompor.

"É preciso montar um projeto político de centro, forte, de inclusão, onde todos os venezuelanos se sintam representados", assegurou o dirigente.

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