Venezuela ocupa rede francesa de supermercados

O governo venezuelano ocupou, nesta terça-feira, todas as lojas de uma rede de supermercados de capital francês, após a expropriação ordenada pelo presidente Hugo Chávez, que acusa a rede de aproveitar a desvalorização da moeda nacional para remarcar de preços. De acordo com o ministro do Interior, Tarek El Aissami, seis lojas da rede Exito, de propriedade do grupo francês Casino, estavam sendo ocupadas.

BBC Brasil |

"Estamos efetuando uma ocupação temporária, junto como nossos colegas de trabalho, assumindo o controle operacional da Exito", afirmou El Aissami a jornalistas em Caracas.

A rede já havia sido sancionada, com o fechamento durante 24 horas, sob a acusação de aumentarem os preços na esteira da desvalorização da moeda.

Expropriações
O ministro do Comércio, Eduardo Samán, disse que a medida de ocupação cumpre com a legislação, que prevê sanções aos estabelecimentos que realizem especulação e remarcação de preços sem justificativa.

Na prática, se trata do primeiro passo para a expropriação definitiva da rede de hipermercados, que será considerada de utilidade pública.

Segundo Samán, "a rede (Exito) formará parte da rede de mercados socialistas" do governo, afirmou.

A medida, anunciada por Chávez no domingo, dividiu a opinião dos trabalhadores dos hipermercados. Dois grupos, um favorável e outro contrário à expropriação, realizaram protestos nas portas dos hipermercados na segunda-feira.

De acordo com a imprensa da Colômbia, o grupo Casino, que conta com pequena participação de capital colombiano, minimizou a importância de sua rede de lojas na Venezuela argumentando que a expropriação teria o "mínimo impacto" em seus lucros.

Outra rede de 36 lojas de hipermercados, a CADA, também de propriedade do grupo Casino, está sob fiscalização do governo e também pode ser expropriada.

Bolívar
A desvalorização do bolívar, anunciada em 8 de janeiro, levou a uma corrida às compras de eletrodomésticos e alimentos, antecipando possíveis remarcações de preços.

Para evitar o incremento dos preços dos produtos e, por consequência, uma acentuada inflação - que fechou 2009 com uma alta de 30% - o governo ordenou ao Exército atuar em conjunto com fiscais da receita federal SENIAT para endurecer a fiscalização nos estabelecimentos comerciais.

Desde 2003, o governo mantinha fixado o valor do dólar a 2,15 bolívares. Agora, o novo sistema cambial fixa um dólar a 2,6 bolívares para importações de produtos de primeira necessidade, como alimentos e medicamentos, e taxa a 4,3 bolívares por dólar as transações que tenham como fim a compra de produtos considerados não essenciais.

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