Venezuela multa emissora por linha editorial em cobertura jornalística

Comissão interpretou que Globovisión fez apologia ao crime durante crise penitenciária; emissora promete recorrer da decisão

iG São Paulo |

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Parentes de presos do centro de Rodeo I, em Guatire, perto de Caracas, aguardam notícias sobre confronto entre internos (13/6)
A Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) da Venezuela impôs nesta terça-feira uma multa de 9,3 milhões de bolívares (R$ 3,8 milhões) ao canal de televisão Globovisión pela cobertura jornalística da crise penitenciária de junho no país. Em entrevista coletiva, o presidente da Conatel, Pedro Maldonado, disse que a comissão interpretou que a emissora fez apologia ao crime "pelo comportamento editorial e pelo modo como o meio de comunicação abordou a questão".

Segundo ele, a multa representa 7,5% das receitas brutas arrecadadas pela Globovisión em 2010. "A multa é executável de maneira imediata", disse Maldonado, acrescentando que a decisão é passível de recurso na Justiça e não representa a suspensão temporária do sinal da emissora.

A sanção foi tomada com base em um procedimento administrativo aberto em junho do ano passado sobre os eventos surgidos durante a crise penitenciária de El Rodeo, onde cerca de mil detentos fizeram uma rebelião por quase um mês.

A vice-presidente do canal venezuelano Globovisión, María Fernanda Flores, considerou a multa é exagerada e anunciou que a emissora pretende recorrer da decisão da Justiça. "Essa multa econômica é uma sanção impagável. Não há maneira de pagar essa enorme quantia", declarou Flores. Para ela, o governo está tentando "quebrar moralmente" a Globovisión.

"Houve falha administrativa por apologia ao crime, incitação à violação do ordenamento jurídico, alterações da ordem pública e incentivo à agitação civil", ressaltou Maldonado. "Também foi demonstrado ódio e intolerância pelas razões políticas".

A Conatel acusou a Globovisión de sensacionalismo ao transmitir somente as declarações extremas de familiares que não tinham informações sobre o que estava ocorrendo. "A emissora divulgou as 18 declarações mais sentidas, as 18 declarações mais desesperadas e somente essas 18, gravadas e reiteradas em quase 300 ocasiões."

Para a comissão, o canal teria editado imagens para supostamente transmitir áudio de metralhadoras falsas e de não ter veiculado as declarações das autoridades com "a regularidade que elas foram feitas".

A Globovisión é conhecida por sua linha editorial crítica ao governo do presidente Hugo Chávez.

Desmentindo rumores

O presidente venezuelano, que está em tratamento contra um câncer, vem enviando mensagens positivas de Cuba, onde se s ubmete a exames oncológicos , enquanto em seu país os aliados estão furiosos com relatos da mídia de que o líder só tem dois anos de vida. "Vamos viver e conquistar!" foi uma das mensagens no Twitter enviada por Hugo Chávez, 57 anos, de Havana, onde está desde o final de semana. "Acendi uma vela e fiz uma promessa a Cristo e a outros santos", acrescentou em outro Tweet.

Chávez diz que os testes irão mostrar que depois da cirurgia para retirar um tumor cancerígeno em junho e quatro sessões de quimioterapia, não tem mais células malignas em seu corpo. Mas oncologistas dizem que é impossível dar alta a alguém até pelo menos dois anos depois do tratamento.

A saúde de Chávez tem enorme importância para a nação sul-americana, que é membro da Opep, por causa de seus planos de disputar uma nova eleição presidencial no próximo ano. Até agora ele se beneficiou com a solidariedade nas pesquisas, o que elevou seus índices de aprovação para 60 por cento. Analistas dizem que isso pode reverter se os eleitores acharem que ele não está bem o bastante para disputar uma eleição ou para governar o país por mais seis anos.

Aumentando os rumores sobre o estado exato de Chávez, um médico venezuelano que o atendeu no passado foi citado por uma revista semanal mexicana dizendo que o presidente tinha um câncer grave - sarcoma - na pélvis. "O prognóstico não é bom", teria dito Salvador Navarrete no artigo da Milenio Semanal. "A expectativa de vida é de até dois anos" .

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Foto distribuída pelo Palácio de Miraflores mostra o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e sua filha Rosa embarcando em avião em direção a Cuba (16/10/2011)

'Necrofilia'

Celia Flores, figura importante no Partido Socialista, acusou opositores de uma obsessão "mórbida" com a saúde de Chávez. "A ultradireita, com sua política de necrofilia, está tentando desmoralizar o povo, mas não conseguirá", disse ela.

Eva Golinger, uma advogada norte-americana que é uma das maiores simpatizantes estrangeiras de Chávez, acusou Navarrete de romper com a ética médica e fingir conhecer detalhes da doença. "A entrevista do doutor Navarrete é o espetáculo triste de um médico distinto que ficou amargo. Por que ele não está tratando da doença atual de Chávez, está bravo, e por isso violou o juramento sagrado da confidencialidade", disse.

O líder venezuelano tuitou que estava começando um segundo dia de testes na terça-feira em Cuba, onde ele tem privacidade e hospitalidade graças à sua forte relação com os irmãos Castro. Embora Chávez tenha dado poucos detalhes precisos sobre sua condição, os venezuelanos especulam furiosamente.

Há quem concorde com a versão de Navarrete de que o tempo de Chávez está acabando, enquanto partidários do presidente dizem que ele logo estará 100 por cento melhor e pronto para lançar sua campanha eleitoral. Uma fonte médica venezuelana, que tem contato com a equipe que cuida de Chávez, disse à Reuters que a saúde dele parecia mais grave do que o presidente deixava transparecer e os médicos cubanos agora controlam o tratamento.

Com EFE e Reuters

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