Venezuela intervém em banco em meio a escândalo bilionário

O ministro de Economia da Venezuela, Alí Rodríguez Araque, anunciou nesta quinta-feira a intervenção do governo no banco Stanford Bank Venezuela para proteger os ativos em bolívares (moeda local) dos correntistas venezuelanos, em meio a um escândalo financeiro envolvendo o grupo ao qual o banco é ligado. A crise envolvendo o grupo teve início na terça-feira, quando o governo dos Estados Unidos anunciaram que o empresário americano Allen Stanford poderia ter cometido uma fraude de cerca de US$ 8 bilhões no sistema financeiro e centenas de pessoas correram às agências de bancos Stanford em uma tentativa de retirar o dinheiro depositado.

BBC Brasil |

Rodríguez Araque afirmou que o sistema bancário nacional é seguro e pediu "tranquilidade" aos venezuelanos, ao reiterar que a sucursal do Stanford Bank na Venezuela é independente dos bancos do grupo no Caribe e nos Estados Unidos.

"Nesse momento estamos indagando que repercussão terá o acontecimento com a instituição no exterior, ao mesmo tempo em que solicitamos às autoridades americanas informação sobre a situação real", afirmou o ministro em uma entrevista coletiva em Caracas.

O ministro de Economia afirmou que "Stanford Bank Venezuela será colocado à venda o antes possível" e que já há grupos interessados na compra do banco.

"O trabalho do governo é evitar que a crise capitalista afete a economia venezuelana", afirmou.

O superintendente de bancos da Venezuela, Edgar Hernández Behrens, afirmou que somente na terça-feira cerca de 57 milhões de bolívares (aproximadamente US$ 26 milhões) foram retirados das agências pelos clientes locais, o que teria afetado a liquidez da instituição.

Com a intervenção do Estado, os ativos dos venezuelanos em bolívares estariam protegidos. No entanto, os venezuelanos com contas no paraíso fiscal da ilha de Antígua, cujos fundos em dólares poderiam alcançar cerca de US$ 2,5 bilhões, estariam ameaçados.

Na última terça-feira, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês) acusou Allen Stanford de uma fraude bilionária envolvendo a comercialização de certificados de depósitos de alta rentabilidade que prometiam enormes retornos aos clientes.

Entre as companhias acusadas de participar da fraude estão a Stanford International Bank, com sede na ilha caribenha de Antígua, a Stanford Group Co., baseada em Houston, nos Estados Unidos, e a consultoria Stanford Capital Management. As empresas tiveram parte de seus ativos congelados.

Além disso, o grupo Stanford possui vários negócios na América Latina, o que fez com que muitos acionistas ficassem preocupados.

Além da Venezuela, México e outros clientes na América Latina com contas em Antígua correram às agências para tentar resgatar os ativos que estão congelados.

No Panamá, a autoridade que regula a atividade bancária anunciou nesta quarta-feira a tomada do controle da filial do Stanford Financial Group no país.

Já a filial do grupo na Colômbia suspendeu suas operações, com a autorização da Superintendência Financeira do país.

Segundo um comunicado divulgado pelo órgão, a Stanford S.A. só poderá utilizar os recursos em seu poder para cumprir operações e compromissos pendentes.

No Equador, uma subsidiária local do grupo anunciou que deverá suspender suas operações na bolsa de Quito por trinta dias.

A filial do grupo no país, no entanto, afirmou que os investidores domésticos não serão afetados pelo escândalo que atinge a companhia nos Estados Unidos, já que ela seria independente da sede americana.

Já na Cidade do México, dezenas de investidores reivindicaram suas economias em frente aos escritórios da Stanford Financial, que não abriu as portas na quarta-feira.

Mesmo assim, a mexicana Stanford Fondos divulgou um comunicado onde afirma que o "Stanford International Bank é uma entidade diferente do mesmo grupo".

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