Venezuela inicia racionamento de energia em meio a confusão

Por Eyanir Chinea e Nelson Bocanegra CARACAS (Reuters) - A Venezuela iniciou nesta quarta-feira um racionamento de eletricidade, provocando confusão em grande parte da população, desinformada sobre os horários e sobre como enfrentar a medida.

Reuters |

Lojas, escolas e clínicas esperavam informações mais detalhadas sobre os horários de corte no abastecimento para preparar planos de contingência. Os jornais comparam a situação com a que Cuba viveu alguns anos atrás.

A medida também provocou mudanças em eventos como a final do campeonato nacional de beisebol, esporte mais popular do país, enquanto algumas pessoas ficaram presas em elevadores ou tiveram de interromper suas compras.

O Ministério da Energia informou na terça-feira que haverá um corte de quatro horas a cada dois dias, até maio, devido à crise energética no país, atribuída pelo governo ao fenômeno climático El Niño e ao aumento da demanda.

Mas a oposição e alguns especialistas afirmam que as dificuldades decorrem da falta de investimentos em infraestrutura depois da nacionalização de diversas empresas de serviços públicos.

"Não temos claro como vai ser isso, não nos dão razão na empresa (de eletricidade). Isso está de mal a pior, vamos ter de reprogramar as consultas porque sem luz os equipamentos não funcionam, até a central telefônica morre", disse Luzmila Cano, secretária de uma clínica em Caracas.

As autoridades alertam que a seca no país deve durar ainda cerca de cinco meses, e dizem que, sem racionamento, a Venezuela poderia viver um colapso elétrico a partir do final de fevereiro.

O racionamento exclui clínicas e hospitais de grande porte, aeroportos, órgãos públicos, metrô, bombeiros, rádios, TVs e jornais. Mas estabelecimentos pequenos, como clínicas e escolas, além da iluminação pública, devem ser afetados.

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