Venezuela inicia plano de racionamento de energia

CARACAS ¿ Depois de anunciar uma maxidesvalorização da moeda, o governo da Venezuela inicia nesta quinta-feira um plano de racionamento de energia em todo o território nacional.

iG São Paulo |


Uma das propostas do plano de racionamento, que será detalhado nesta quinta-feira, é cortar a luz por cerca de quatro horas por dia e autorizar o fornecimento apenas em áreas específicas. Outra medida que deve ser adotada é reduzir o horário de funcionamento dos departamentos públicos, aproveitando a luz do sol, abrindo às 8h da manhã e encerrando às 13h.

Segundo o jornal venezuelano "El Tiempo", o ministro da Energia Elétrica, Angel Rodríguez, afirmou que a população deve estar preparada para seguir as medidas determinadas para cada região. "Esperamos que haja um nível de informação que permita minimizar os problemas causados por esse tipo de ação", disse Rodríguez em entrevista à emissora Venezolana.

De acordo com o ministro, o nível de água do complexo de Guri, hidrelétrica responsável por ¾ da energia da Venezuela, e que também fornece eletricidade para parte de Roraima, está muito baixo. No final de fevereiro, Guri poderia chegar a uma "situação crítica" e causar um "apagão geral" no país.

Rodríguez acredita que se o plano de racionamento for seguido pela população, a água do reservatório se esvaziará mais lentamente, permitindo que o país atravesse o período de seca, que deve durar cinco meses.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, reforçou sua preocupação com o nível da presa de Guri no último domingo (10), em seu programa de televisão, Alô, Presidente. Chávez fez um apelo para que a população economize energia, como já havia feito em dezembro, quando sugeriu que as pessoas tomassem banhos de três minutos e abandonassem banheiras e jacuzis.

Desvalorização da moeda

O plano de racionamento é anunciado no momento em que a Venezuela passa por drásticas mudanças na sua economia. Chávez anunciou a criação de uma taxa cambial dupla ¿ uma para os setores básicos da economia, com um dólar a 2,60 bolívares, e outra para o restante da economia, com o dólar a 4,30 bolívares. A taxa oficial de câmbio era mantida estável pelo governo desde 2005 em 2,15 bolívares por dólar.

A iniciativa provocou uma corrida às lojas de produtos importados, principalmente eletrodomésticos, em decorrência da remarcação de preços. Indignado, Chávez colocou o Exército, a Guarda Nacional, os Conselhos Comunitários e o Comitê de Controladoria para fiscalizarem os abusos. De segunda (11) para terça-feira, 70 lojas foram fechadas .

De acordo com estudos publicados nesta terça-feira na imprensa venezuelana, a desvalorização do bolívar provocou uma perda de 62,3% no salário mínimo da Venezuela em comparação com os últimos 27 anos. Porém, Chávez insiste que as mudanças de câmbio vão gerar efetivamente a duplicação das receitas decorrentes da venda de petróleo e o governo poderá elevar os investimentos em mais de 50%.

Com Agência Brasil

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