Venezuela fechou mais de 1,9 mil comércios por remarcação irregular

O governo venezuelano já fechou mais de 1,9 mil estabelecimentos comerciais que foram flagrados remarcando preços ou especulando sobre o valor de seus produtos na esteira da desvalorização da moeda, o bolívar, efetivada no início de janeiro. De acordo com a agência estatal ABN, de 11 de janeiro até esta segunda-feira, o Indepabis (Instituto para a Defesa das Pessoas no Acesso a Bens e Serviços) inspecionou mais de 3,5 mil estabelecimentos comerciais, dos quais 1,9 mil foram fechados.

BBC Brasil |

Esses comércios são fechados durante 24 horas, período que o Indepabis considera suficiente para que os empresários corrijam o valor das mercadorias de acordo com o tipo de câmbio que corresponde na fatura das importações.

Além disso, os empresários sancionados devem pagar uma multa que pode variar de US$ 2 mil a US$100 mil.

Uma das medidas mais polêmicas tomadas contra o comércio foi a expropriação da cadeia de supermercados francesa Exito, acusada de remarcar preços imediatamente após a desvalorização. Os supermercados desta rede foram fechados por 24 horas e logo depois o governo ordenou a intervenção.

Desvalorização
A polêmica com a remarcação dos preços ocorre porque desde 2003, o governo mantinha fixado o valor do dólar a 2,15 bolívares.

Mas o novo sistema cambial anunciado em 8 de janeiro janeiro pelo presidente Hugo Chávez, fixa um dólar a 2,6 bolívares para importações de produtos de primeira necessidade, como alimentos e medicamentos, e taxa a 4,3 bolívares por dólar as transações que tenham como fim a compra de produtos considerados não essenciais.

Segundo a diretora do Indepabis, Valentina Querales, somente na semana passada, 400 comércios foram fechados, entre eles supermercados, lojas de eletrodomésticos e de móveis.

Nas últimas semanas, o Indepabis disse ter apreendido toneladas de açúcar, produto que de acordo com autoridades, estava sendo estocado para gerar "falsa escassez" e incentivar a inflação dos preços.

Desde o início de janeiro, em uma tentativa de frear o incremento dos preços dos produtos e, por consequência, uma acentuada inflação - que fechou 2009 com uma alta de 30% - o governo ordenou ao Exército atuar em conjunto com fiscais da receita federal Seniat para endurecer a fiscalização nos estabelecimentos comerciais.

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