Venezuela expulsa Human Rights Watch após relatório

Por Patricia Rondón Espín e Saúl Hudson CARACAS (Reuters) - A Venezuela expulsou os representantes da organização de direitos humanos Human Right Watch, após a entidade com base nos Estados Unidos ter acusado o presidente Hugo Chávez de acabar com a democracia durante os quase 10 anos em que está no poder.

Reuters |

O chanceller venezuelano, Nicolás Maduro, advertiu que o país continuará se defendendo de ataques internacionais expulsando qualquer estrangeiro que critique o governo.

'Estrangeiro que venha opinar contra nossa pátria será expulso de maneira imediata. Os que pretendem seguir nestes joguinhos devem saber a que devem se ater', disse o diplomata.

A decisão pode tornar ainda mais ten,tsas as relações entre o líder venezuelano e Washington, seu primncipal comprador de petróleo, uma semana depois da expulsão do embaixador norte-americano da Venezuela, e a resposta dos EUA na mesma moeda.

A organização HRW denunciou em um relatório entitulado 'Uma década de Chávez: Intolerância política e oportunidades perdidas para o progresso dos direitos humanos na Venezuela', apresentado em Caracas na quinta-feira, que não existe separação de poderes no país e que Chávez controla todos os tribunais.

Mais cedo, a chancelaria disse em um comunicado que os representantes da HRW, José Miguel Vivanco e Daniel Wilkinson, foram expulsos por 'agredir as instituições da democracia venezuelana, interferindo ilegalmente nos assuntos internos de nosso país'.

A organização afirmou em um comunicado que a medida ressalta a intolerância do governo.

'A expulsão da equipe da Human Rights Watch deixa mais claro que a Venezuela está indo pelo caminho da intolerância', disse o diretor executivo da HRW, Kenneth Roth, citado no comunicado. 'As liberdades civis na Venezuela estão em perigo', acrescentou.

Maduro classificou Vivanco como mentiroso, e disse que o chileno está vinculado com os setores de ultra-direita e com a ditadura de Augusto Pinochet no Chile.

O governo chileno classificou a expulsão como uma medida 'desproporcionada'.

EXPULSÃO DEFINITIVA

A HRW afirmou que durante a expulsão foram confiscados os telefones celulares dos dois funcionários, e que eles não puderam contatar suas embaixadas. Eles foram escoltados por autoridades até serem colocados em um avião com destino a São Paulo.

Vivanco disse na capital paulista que a Venezuela não permitirá sua entrada no país enquanto Chávez governar.

No aeroporto de Guarulhos, enquanto aguardava para embarcar para os EUA, Wilkinson afirmou à Reuters que havia seis homens armados no carro que os levou ao aeroporto em Caracas.

'Foi uma experiência muito, muito desagradável, mas estamos bem. Acredito que essas ações realizadas pelo governo só chamam mais a atenção internacional para os problemas de que estamos falando', contou Wilkinson.

'Ter sido expulso desta forma foi um ato claro de censura e uma evidência de que nosso relatório estava certo.'

Imagens da televisão estatal mostraram funcionários indo, à meia-noite, ao hotel em que se hospedavam Vivanco e Wilkinson para informá-los de sua expulsão imediata. Os dois foram acompanhados até o aeroporto.

'O motivo?', perguntou Vivanco, surpreso, à porta.

'A violação ao visto com que você ingressou no território venezuelano. É um visto de turista, autorizado para atividades de lazer e recreação. Além disso, suas declarações contêm francas violações à legislação venezuelana', respondeu o funcionário, sem dar mais detalhes.

A HRW é uma organização não-governamental independente, mas Chávez a acusa de trabalhar para o governo de George W. Bush, que chamou a Venezuela, na quinta-feira, de autocracia.

A oposição acusa Chávez de criar esse tipo de polêmica no país para desviar a atenção dos problemas enfrentados pelos venezuelanos, como a inflação e a criminalidade, a semanas das eleições regionais.

(Com informação adicional de Deisy Buitrago e de Peter Murphy em São Paulo)

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