Caracas, 11 jan (EFE).- O Governo venezuelano entregou hoje aos responsáveis pelas embaixadas dos Estados Unidos e da Holanda uma nota de protesto pela incursão ilegal na Venezuela de um avião militar americano, que foi negada por Washington.

A informação foi dada pelo ministro das Relações Exteriores venezuelano, Nicolás Maduro, segundo o qual essa "incursão ilegal" de um avião abrigado na ilha holandesa de Curaçao foi detectada na sexta-feira passada pela Venezuela, que enviou dois aviões F-16 para interceptá-lo.

Os pilotos venezuelanos agiram "com muita clareza, decisão e prudência" diante de uma incursão que, para Maduro, "só responde a um fato: tentar provocar algum tipo de incidente com nosso país", disse o ministro à emissora estatal de televisão "VTV".

Pouco antes, o encarregado de negócios da Embaixada dos EUA em Caracas, John Caulfield, disse a jornalistas que "nenhum avião militar americano violou o espaço aéreo (venezuelano) nos últimos tempos".

Caulfield visitou hoje a Chancelaria venezuelana no lugar do embaixador dos EUA na Venezuela, Patrick Duddy, que está fora do país, em resposta a um chamado de Maduro.

Depois de se reunir com Maduro, Caulfield agradeceu ao ministro pela "oportunidade de falar" sobre a questão e defendeu "melhorar o diálogo" entre os dois países, além de considerar o encontro como positivo.

O chanceler venezuelano disse ter as provas da incursão.

"Entregamos a eles as coordenadas e as horas" do fato, porque "somos um Governo sério", disse.

Maduro também revelou que entrou em contato com as autoridades das ilhas holandesas no Caribe, às quais reiterou que a Venezuela "é um povo de paz" que deseja "a melhor relação", mas pediu que elas "exijam dos EUA o respeito ao espaço aéreo da Venezuela".

A incursão do avião foi denunciada na própria sexta-feira pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, o qual destacou que os aviões venezuelanos F-16 "pressionaram" a aeronave de guerra dos EUA.

"Dissemos ao Governo da Holanda que deve assumir suas responsabilidades" diante deste tipo de fato, afirmou Chávez.

Em suas declarações de hoje, o encarregado de negócios da Embaixada dos EUA disse que a única incursão de um avião de seu país no espaço aéreo da Venezuela ocorreu em 2008.

Segundo Caulfield, houve um erro do piloto americano que foi "reconhecido pelos EUA e superado".

"Não tivemos outro evento" posterior, garantiu Caulfield. EFE ar/bba

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