Venezuela emite ordem de prisão contra líder opositor e pede ajuda da Interpol

Um Tribunal da Venezuela emitiu nesta quarta-feira uma ordem de prisão contra o líder opositor Manuel Rosales e solicitou à Interpol (polícia internacional) colaboração para aplicar uma ordem de captura internacional do político, que está no Peru, onde solicitou asilo político. A juíza Reina Morandy Mijares, do Tribunal 19 de Controle, em Caracas, justificou a ordem de prisão ao afirmar, por meio de um comunicado, que Rosales tem demonstrado não possuir vontade de se submeter ao processo, além do fato de que o mesmo não contribui com sua conduta à boa administração da Justiça e rapidez do processo.

BBC Brasil |

Reuters

Rosales é abordado por jornalistas em rua de Lima, no Peru

Rosales oficializou pedido de asilo político ao governo do Peru na terça-feira, alegando ser vítima de perseguição política na Venezuela. De acordo com a imprensa peruana, Rosales entrou no país no domingo, acompanhado da família.

Mas o ex-candidato presidencial deveria ter comparecido na segunda-feira ao tribunal para responder a acusação de enriquecimento ilícito durante sua gestão como governador do Estado de Zulia.

Acusação

O Ministério Público afirma que Rosales não pode comprovar a procedência de US$ 68 mil em sua declaração de patrimônio relativa aos anos de 2002 a 2004.

No final de março, Rosales se "refugiou" no interior do Estado de Zulia (oeste do país) alegando necessitar de "tempo" e "segurança" para preparar sua defesa.

Desde então, abandonou suas funções como prefeito da cidade de Maracaibo, a segunda maior da Venezuela, delegando o cargo a um ex-deputado.

"Ditadorzinho"

Pouco antes da divulgação da ordem de captura, em sua primeira aparição pública desde o final de março, nesta quarta-feira, Rosales disse ser "vítima de perseguição ordenada por (Hugo) Chávez" e chamou o presidente venezuelano de "ditadorzinho", em discurso transmitido via satélite a partir de Lima.

O líder opositor disse que Chávez "ataca todos os que se recusam a ajoelhar-se, a rir das suas piadas ruins ou a aplaudir seus disparates, os abusos e o verbo violento e grosseiro que utiliza".

Minutos depois, o Ministro de Relações Exteriores peruano, José García Belaunde, manifestou desagrado em relação às palavras de Rosales, ao advertir que o político deve "ajustar-se às normas" enquanto aguarda a avaliação do governo sobre seu pedido de asilo.

"O Peru não pode ser utilizado como plataforma política para nenhum estrangeiro, porque isso viola a natureza do refúgio", afirmou Belaunde a jornalistas em Lima.

O governo peruano poderia demorar pelo menos duas semanas para responder se concederá ou não o asilo político.

Na terça-feira, o advogado de Rosales em Lima, Javier Valle-Riestra, adiantou que uma ordem de captura não era viável porque Rosales já havia solicitado asilo político. Valle-Riestra é congressista e foi primeiro-ministro durante o governo de Alberto Fujimori.


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