MOSCOU - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, estreitou hoje a cooperação com a Rússia em matéria de segurança e energia em seu primeiro encontro com o novo chefe de Estado russo, Dmitri Medvedev. http://ultimosegundo.ig.com.br/bbc/2008/07/22/chavez_busca_armas_e_lideranca_em_moscou_dizem_analistas_1462429.htmlChávez busca armas e liderança em Moscou, dizem analistas

A ativa cooperação entre Moscou e Caracas "transforma-se em um dos fatores-chave da segurança regional" na América Latina, disse o presidente russo ao receber o líder venezuelano em sua residência campestre de Meindorf, no arredores de Moscou.

Chávez felicitou Medvedev pela sua posse, em maio passado, e mostrou-se convencido de que o novo chefe do Estado russo será uma "garantia da segurança e da estabilidade" do mundo inteiro, segundo as agências de notícias russas.

Logo após chegar a Moscou, o presidente venezuelano manifestou que os acordos assinados nos últimos anos com a Rússia, sobretudo para a compra de armas, "garantirão a soberania da Venezuela, que é ameaçada pelos Estados Unidos".

Chávez expressou sua confiança de que esta visita, a sexta que efetua a Moscou, servirá para continuar os avanços na construção de uma "aliança estratégica" entre Venezuela e Rússia.

Ao destacar o bom momento pelo qual passam as relações entre Moscou e Caracas, o presidente russo destacou o grande aumento do comércio bilateral, que no ano passado foi duplicada em comparação a 2006.

No entanto, defendeu a otimização dessa cooperação, pois grande parte desse intercâmbio corresponde a venda e compra de armas, já que a Venezuela se transformou no maior cliente latino-americano da indústria de guerra russa, com contratos em andamento de US$ 4 bilhões.

Embora às vésperas da visita de Chávez a imprensa tenha acentuado o interesse venezuelano em comprar novos armamentos pesados, os presidentes se inclinaram a falar da cooperação energética diante da imprensa.

Medvedev disse que Moscou e Caracas coordenarão suas políticas no âmbito dos hidrocarbonetos, mas negou acordos concretos para fixar preços.

"De nossas ações coordenadas depende também a garantia da segurança energética. Vamos trabalhar juntos, de maneira coordenada, correta; nossa cooperação não aponta contra outros países", ressaltou.

O chefe do Kremlin assinalou que "é evidente que os preços do petróleo não devem impedir o desenvolvimento mundial".

"Os preços devem ser justos, mas isto não significa que em relação a esses preços sejam possíveis acordos para impô-los a outros países", insistiu.

Ao referir-se à proposta iraniana de criar um cartel de países produtores de gás natural semelhante à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), o presidente russo disse que "não se tomou nenhuma decisão, mas não é correto dizer que o assunto esteja encerrado".

Após as conversas entre Medvedev e Chávez, o ministro da Energia da Venezuela e presidente da Petróleos da Venezuela S/A (PDVSA), Rafael Ramírez, assinou acordos de cooperação com as petrolíferas russa Lukoil e russo-britânica TNK-BP e com a gigante de energia Gazprom para projetos em território venezuelano.

Chávez se reuniu também com o primeiro-ministro e ex-presidente russo, Vladimir Putin, a quem chamou de "amigo" e convidou a visitar a Venezuela para impulsionar a cooperação.

Putin assegurou que a "Rússia é um parceiro confiável" da Venezuela, com a qual procura "diversificar os intercâmbios" para estendê-los a "novos âmbitos, como o transporte, espaço e as altas tecnologias, sem falar da cooperação militar".

O jornal digital "Gazeta.ru" afirmou que durante a visita de Chávez "abordou-se uma série de importantes contratos de provisões de armas", que a imprensa oficial não confirmaram.

Segundo fontes do jornal, Caracas negocia a compra de 20 aparatos antiaéreos Tor-M1, três submarinos diesel-elétricos do tipo Varshavianka, outros seis da classe Amur, dez navios de superfície de distinta classe, 20 aviões patrulha Il-114 e dez helicópteros Mi-28N.

A exportadora estatal russa de armamento Rosoboronexport anunciou ontem que durante a visita de Chávez se esperava a assinatura de um acordo para a provisão de material bélico, que ainda não foi informado oficialmente.

Segundo meios de comunicação russos, Moscou mostrou-se disposto a conceder ao país sul-americano um crédito de até US$ 800 milhões para a compra de armas.

A visita à Rússia está dentro de uma viagem pela Europa na qual Chávez também visitará Belarus, Portugal e Espanha.

Leia mais sobre: Rússia - Venezuela

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.