Venezuela e Espanha enterram polêmica e reforçam relações

Caracas, 29 jul (EFE).- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, reforçou hoje a relação entre o país e a Espanha em um ato no qual os países selaram uma aliança energética com a assinatura de importantes acordos na presença do ministro de Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos.

EFE |

Em discurso após a assinatura dos contratos com Repsol YPF e Iberdrola, Chávez qualificou como "muito importante, muito oportuna, refrescante e fortalecedora" a visita de três dias de Moratinos, que terminou hoje, depois da reunião no Palácio de Miraflores.

O presidente venezuelano, que pediu que sejam desenvolvidos mais projetos bilaterais entre os países, afirmou que recebia com "muito afeto" a saudação do rei Juan Carlos e do presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, transmitida pelo ministro, e disse que estava esperando a visita deles.

"Leve a eles um abraço. Aqui sempre estamos esperando que nos visitem", disse Chávez, que se reuniu há um ano na Espanha com o rei e com Zapatero, em uma visita que enterrou definitivamente o episódio gerado pelo "Por que não te calas" do monarca ao presidente venezuelano no final de 2007.

O ministro expressou ao presidente venezuelano o compromisso da Espanha de criar uma relação "sólida e estratégica" com o país e a vontade de seguir trabalhando juntos em um futuro de paz e estabilidade em toda a América Latina.

Para Moratinos - que em seus três dias em Caracas inaugurou um fórum empresarial hispânico-venezuelano e se reuniu em duas ocasiões com seu colega Nicolás Maduro, antes do encontro com Chávez -, a estadia na Venezuela permitiu "fortalecer ainda mais as excelentes relações".

No Salão Ayacucho do Palácio presidencial, onde ocorreu a assinatura dos convênios, o ministro expressou o desejo de que a Presidência espanhola da União Europeia no primeiro semestre de 2010 possa contribuir para "ancorar" a relação entre Europa, América Latina e Caribe.

A Repsol YPF assinou com a estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) um contrato de fornecimento de petróleo de um milhão de barris para ser refinado na Espanha.

O acordo, assinado pelo presidente da Repsol YPF, Antonio Brufau, estipula que além do um milhão de barris que serão refinados na Espanha para posterior comercialização, a companhia petrolífera comprará outros 380 mil para refinamento no Peru.

O processo de provisão dos 1,38 milhão de barris se prolongará durante um ano, com carregamentos mensais. O preço oscilará, já que há diferentes qualidades de petróleo.

O convênio se insere no acordo-marco de cooperação energética selado entre os países pouco depois da visita de Chávez à Espanha, há um ano.

A Repsol YPF assinou outros quatro acordos para assegurar sua posição na maior potência petrolífera da América do Sul.

As companhias espanholas Iberdrola Ingeniería y Construcción (Iberinco) e Elecnor construirão uma usina de ciclo combinado no leste venezuelano para a PDVSA.

O acordo foi assinado pelo presidente da PDVSA Gás, Ricardo Coronado; pelo presidente da Iberdrola Ingeniería y Construcción, Ramón de Miguel, e pelo diretor internacional de Desenvolvimento Energético da Elecnor, Germán Junquera.

Esta operação tem um investimento de US$ 2 bilhões, dos quais pouco mais da metade corresponde ao consórcio espanhol, com uma participação de 60% da Iberdrola e de 40% da Elecnor.

No ato foram firmados também acordos de cooperação técnica para a provisão de uma ferrovia no leste de Caracas e Chávez, em discurso, encorajou a trabalhar conjuntamente em mais projetos como a energia eólica e a construção de casas.

Os países também decidiram criar uma comissão para o acompanhamento e para resolver os casos de expropriações que afetam espanhóis que moram na Venezuela, como tinha sido anunciado na terça-feira por Moratinos depois de se reunir com o chanceler da Venezuela.

Em seu encontro com Chávez, o ministro espanhol, que viu na mesma tarde para o Brasil, presenteou o presidente venezuelano uma caixa de prata com uma inscrição por ocasião de seu aniversário, que foi na terça-feira, e recebeu do líder um quadro do Libertador Simón Bolívar. EFE eb/db

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