Venezuela e Cuba acertam criar empresas mistas petrolíferas e tecnológicas

CARACAS - Os presidentes da Venezuela e de Cuba, Hugo Chávez e Raúl Castro, respectivamente, acertaram neste sábado criar empresas mistas nas áreas de petróleo e de telecomunicações, e desenvolver 173 projetos conjuntos com um investimento superior a US$ 2 bilhões durante 2009.

EFE |

Os convênios foram assinados durante o encerramento da IX reunião da Comissão Mista de Alto Nível, ato liderado pelos governantes venezuelano e cubano, e gerado na primeira visita oficial de Raúl à Venezuela.

Caracas e Havana assinaram um memorando de entendimento para a criação de uma "empresa mista para o sistema de refino de petróleo e gás natural liquidificado em Cuba", que contribua para a expansão das refinarias cubanas de Cienfuegos e Hermanos Díaz.

O projeto inclui a ampliação da capacidade de refino de Cienfuegos dos atuais 60.000 barris diários para 150.000, e da refinaria Hermanos Díaz de 22.000 para 50.000 barris diários.

A refinaria de "Camilo Cienfuegos", localizada a cerca de 250 quilômetros de Havana, foi recuperada pelas empresas estatais Cupet, de Cuba, e PDVSA, da Venezuela, e reinaugurada em dezembro de 2007 com um investimento de US$ 166 milhões.

Também foi assinado outro memorando de entendimento para a "criação da empresa socialista mista Guardián del Alba", com sede na Venezuela, e que se encarregará de "regular a cooperação em matéria de fabricação de soluções tecnológicas integrais" para as áreas de telecomunicação e informática.

Em um longo discurso carregado de citações históricas, Chávez destacou a carga simbólica desta visita de Raúl Castro a Caracas, e a voltou a comparar com a que Fidel fez à capital venezuelana em 1959, apenas 22 dias depois do triunfo da revolução cubana.

A "ata final" da reunião de alto nível incluiu o "programa de colaboração" para 2009, que prevê a continuação "de 137 projetos em desenvolvimento e outros 36 novos".

Durante este ano, Venezuela e Cuba executaram conjuntamente um total de 76 projetos no valor de US$ 1,355 bilhão, segundo dados revelados durante a reunião da Comissão Mista, que foi instalada na sexta-feira em Caracas.

"Devemos trabalhar agora com rapidez para concluir os projetos em execução (...) identificar, como o estamos fazendo, os obstáculos que podem atrasar a consecução dos objetivos colocados", afirmou Castro.

Chávez acrescentou que o sucesso da cooperação entre "duas revoluções" pode servir de "modesto exemplo ao mundo" que é possível um mundo diferente.

Durante o ato oficial de hoje, realizado na sede do Governo venezuelano, Chávez condecorou seu colega cubano com o "Grande Colar Ordem do Libertador", e também lhe entregou uma réplica da espada do líder Simón Bolívar.

Ambos os governantes fizeram discursos nos quais exaltaram a ideologia socialista, e ressaltaram as estreitas relações de cooperação entre Venezuela e Cuba nos últimos oito anos.

Raúl chegou na manhã deste sábado à Venezuela para cumprir uma visita oficial, a primeira desde que substituiu na Presidência de Cuba seu irmão Fidel Castro, que deixou o cargo por causa de sua doença no dia 31 de julho de 2006.

Durante a jornada liderou junto a seu anfitrião dois atos protocolares em homenagem ao "Libertador", e manteve uma reunião privada com Chávez na sede do Governo.

Nenhum representante oficial venezuelano nem cubano revelou quanto tempo o líder cubano permanecerá na Venezuela.

Havana informou que o general Raúl Castro vai participar da Cúpula da América Latina e do Caribe sobre integração e desenvolvimento, nos dias 16 e 17 deste mês em Salvador, e que no dia 18 inicia uma visita oficial ao Brasil.

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