Caracas, 17 ago (EFE).- Venezuela e Colômbia enfrentam uma nova escalada de tensão diplomática após a prisão temporária de 41 colombianos, entre eles um funcionário consular, informaram hoje analistas locais, embora porta-vozes governistas venezuelanos qualifiquem o fato como uma simples incidência.

Os colombianos foram detidos na tarde deste domingo, durante uma operação de renovação de documentos desenvolvida pelo Consulado da Colômbia no bairro popular de Catia, sendo libertados na mesma noite, disse à agência Efe a cônsul colombiana em Caracas, María Elvira Cabello.

A operação consular se realizava sem permissão do Ministério do Interior e Justiça venezuelano, alegou a Polícia do município de Libertador, um dos cinco que integra a capital venezuelana.

Na opinião do especialista em relações internacionais venezuelano Carlos Romero, a "prisão preventiva" dos colombianos "se inclui no contexto geral de deterioração" das relações bilaterais, que o presidente Hugo Chávez congelou no passado 28 de julho.

Essa foi a resposta de Caracas às denúncias "irresponsáveis" da Colômbia sobre o suposto desvio de armas venezuelanas para a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

A prisão temporária dos colombianos aumenta "ainda mais o distanciamento" entre Caracas e Bogotá, e demonstra "como se está deteriorando a vida cotidiana" dos cidadãos dos dois países, que compartilham 2.219 quilômetros de fronteira terrestre, disse Romero.

Por sua parte, o vice-presidente da Assembleia Nacional (AN) venezuelana, Saúl Ortega, qualificou como uma "incidência de ordem pública" a detenção temporária dos colombianos.

"Foi uma incidência" e "não tem nada a ver" com as recentes "decisões do Alto Governo" de congelar as relações com a Colômbia, afirmou o deputado governista e membro da Comissão de Política Externa da AN, em entrevista telefônica para a Efe.

Acrescentou que a realização na rua de atividades consulares "não é normal", e que, em todo caso, "qualquer atividade" que pretenda realizar "qualquer venezuelano" ou estrangeiro nos espaços públicos deve ser notificada e autorizada pelas autoridades competentes.

A cônsul Cabello afirmou que já se estabeleceram os contatos diplomáticos para conhecer e adotar os "novos procedimentos" para pôr em prática os chamados "consulados móveis", os quais, assegurou, vinham sendo desenvolvidos sem problemas durante os "quatro anos" que leva em Caracas.

Ontem mesmo, o presidente venezuelano afirmou que era "impossível" recompor as relações com o Governo de seu colega colombiano, Álvaro Uribe, ao que acusou de exibir um "cinismo sem limites" ao propor essa possibilidade publicamente na sexta-feira passada.

Atribuiu a nova crise bilateral à "política imperial" que desenvolve Estados Unidos em seu suposto empenho de "dividir" a região e que teria encontrado em Uribe um aliado perfeito.

Ainda segundo o especialista venezuelano Carlos Romero, "a posição fechada" de Chávez frente à Colômbia é um sinal "negativo" diante da reunião extraordinária da União de Nações Sul-americanas (Unasul).

Essa cúpula foi convocada para o próximo 28 de agosto na localidade argentina de Bariloche, para analisar o impacto na região dos novos acordos militares entre Colômbia e Estados Unidos.

Chávez reiterou este domingo que o novo pacto militar que fecharam Bogotá e Washington, que inclui o uso por parte de militares americanos de sete bases na Colômbia, faz parte da "estratégia" do império para "recompor suas forças e garantir seu domínio" da região.

Insistiu em que tem em seu poder um documento militar americano, fornecido pelo líder cubano Fidel Castro, que demonstra tal propósito e que o apresentará na cúpula da Unasul para "desmascarar a manobra".

O primeiro objetivo da "manobra", disse, é Venezuela, porque EUA quer recuperar o controle de sua riqueza petrolífera, que teria perdido com a chegada da "revolução" bolivariana. EFE gf/fk

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