Venezuela e Colômbia comemoram prisão de chefe do tráfico

Santos e Chávez anunciaram em cojunto a captura de Maximiliano Bonilla Orozco, um dos mais procurados traficantes da América Latina

iG São Paulo |

Os presidentes da Colômbia e da Venezuela anunciaram nesta segunda-feira a prisão de um dos mais procurados traficantes da América Latina, em um feito citado como sinal da unidade para o combate ao crime entre governos ideologicamente antagônicos.

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AP
Presidente colombiano, Juan Manuel Santos, sorri ao lado do presidente venezuelano, Hugo Chávez, em sua chegada ao palácio presidencial de Miraflores, Caracas

O colombiano Maximiliano Bonilla Orozco, 39 anos, conhecido como Valenciano, foi detido na noite de domingo, disseram Juan Manuel Santos e Hugo Chávez durante uma reunião em Caracas.

Havia uma recompensa de US$ 5 milhões pela captura de Valenciano, acusado de embarcar várias toneladas de cocaína para os Estados Unidos, com a ajuda de quadrilhas como a mexicana Zetas. "Ele causou terríveis danos ao nosso país", disse o colombiano Santos. "Que coincidência que o prenderam ontem à noite, para que hoje possamos dar essa notícia magnífica ... Obrigado, presidente Chávez. Esse é um bom presente."

Enquanto o conservador Santos é o maior aliado dos EUA na região, o venezuelano Chávez é o maior líder antiamericano da América Latina. Apesar disso, os dois presidentes vêm forjando desde o ano passado uma relação pragmática, deixando para trás anos de desconfiança.

No passado, a Colômbia acusou o governo de Chávez de dar abrigo a guerrilheiros marxistas, e analistas dizem que a Venezuela passou anos fazendo vista grossa à presença deles. Além disso, a Venezuela se tornou um importante entreposto no tráfico de cocaína colombiana para os EUA e a Europa.

Agora, a Colômbia espera ajuda venezuelana também para localizar o novo líder da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Timoleón "Timochenko" Jiménez, que supostamente se desloca pela região da fronteira.

"Jamais permitiremos a violação da nossa soberania por qualquer grupo ou pessoa, sejam traficantes, guerrilheiros ou paramilitares", disse Chávez na entrevista coletiva ao lado de Santos no palácio presidencial de Miraflores, em Caracas.

"Faremos de tudo ao nosso alcance para impedir qualquer agressão contra a Colômbia ... Somos gratos pela colaboração franca e transparente que foi iniciada em assuntos de segurança."

Chávez disse que Valenciano foi preso portando "milhões de bolívares" (a moeda venezuelana), e que está sendo transportado para Caracas, para, depois, ser entregue à Colômbia.

Ainda não está claro como se deu a captura de Valenciano. Chávez afirma que a prisão foi efetuada na cidade de Valencia, enquanto promotores da Colômbia dizem que aconteceu nos arredores da cidade de Maracay.

Bonilla, 39 anos, foi chefe de uma organização criminosa criada nos anos 1980 em Medellin, que recrutava atiradores do ex-rei do tráfico de cocaína Pablo Escobar. O Departamento de Estado dos EUA listou Bonilla como um dos oito traficantes de droga colombiano mais procurados.

Com Reuters e AP

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