Caracas, 25 ago (EFE).- O vice-presidente venezuelano, Ramón Carrizalez, anunciou hoje que as negociações com a fabricante de cimento mexicana Cemex estão apenas começando e avaliou como positiva a predisposição mostrada pela empresa em evitar os tribunais internacionais.

"Como primeiro elemento para avançar, é necessário um acordo comum entre a empresa e o Estado (venezuelano), e tomar o controle total das operações", explicou Carrizale no fim do primeiro encontro entre o Governo da Venezuela e a nova equipe negociadora enviada ao país pela empresa mexicana.

Além disso, descartou "estabelecer porcentagens" da parte da empresa que eventualmente continuará em poder da mexicana e lembrou que o Governo venezuelano já decretou sua desapropriação.

"No entanto, há coisas que estão sendo trabalhadas com flexibilidade em função da disposição da empresa e do Governo do México", acrescentou.

Carrizalez negou diante da imprensa que o Governo do presidente Hugo Chávez tenha elevado o preço estimado inicialmente em US$ 650 milhões, por causa do US$ 1,3 bilhão que, segundo as autoridades venezuelanas, a Cemex solicitava.

"É falso (...), é necessário vê-lo (o preço) a partir de um ponto de vista integral: problemas trabalhistas, ambientais, custos, operabilidade, tecnologia, cotação na bolsa", explicou o vice-presidente, que detalhou que o decreto de desapropriação incluiu um prazo adicional de 60 dias "para negociar".

Chávez, durante um ato neste fim de semana, atribuiu a falta de um acordo amistoso com a Cemex à atitude "prepotente" e "desafiadora" com o seu Governo.

O Governo venezuelano já fechou acordos de compra e venda com a suíça Holcim e com a francesa Lafarge por um total de US$ 819 milhões.

A filial venezuelana da Cemex, com 15 fábricas na Venezuela, controla a metade da produção de cimento do país, enquanto os outros 50% estão nas mãos de Lafarge e Holcim, praticamente com 25% cada uma.

A compra e venda ocorre dentro do processo nacionalizador de setores considerados "estratégicos" por Chávez, e que, até o momento, afetou principalmente as telecomunicações, a eletricidade, os hidrocarbonetos, os lácteos, os bancos e o cimento. EFE afs/bm/rr

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