Venezuela critica resposta americana sobre violação de espaço aéreo

Caracas, 20 mai (EFE).- O Governo venezuelano expressou hoje sua insatisfação diante das explicações dos Estados Unidos pelo caso da violação do espaço aéreo do país, e afirmou que espera que Washington respeite o compromisso adquirido de que eventos desse tipo não se repetirão.

EFE |

O embaixador americano em Caracas, Patrick Duddy, prestou esclarecimentos sobre a "violação do espaço aéreo" venezuelano por uma aeronave da Armada dos EUA, que para o chanceler da Venezuela, Nicolas Maduro, não foram satisfatórias.

"Ele (Duddy) prometeu que esse tipo de eventos não se repetirá", algo que a Venezuela "espera" que seja cumprido, disse Maduro aos jornalistas, depois de se reunir com o embaixador americano e entregar-lhe uma "nota de protesto" pelo fato.

Por sua vez, Duddy leu uma declaração na qual destacou que explicou a Maduro que a incursão no espaço aéreo venezuelano do avião americano foi conseqüência de um "erro de navegação".

"Não existe nenhuma justificativa dos EUA para tentar esconder o que foi uma flagrante violação do espaço aéreo", destacou Maduro ao ser consultado pelos jornalistas sobre a resposta de Duddy.

O embaixador destacou que a aeronave da Armada dos EUA que erroneamente ingressou em espaço aéreo venezuelano no sábado passado se encontrava em uma missão antidrogas, e que "os EUA estão tomando medidas para evitar que se repita um incidente dessa natureza".

"O chanceler me entregou uma nota de protesto pelo assunto, e enfatizei a ele que uma maior cooperação em questões antidrogas (...) poderiam evitar incidentes desse tipo no futuro", afirmou Duddy, ao ler sua declaração.

O Governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, anulou em julho de 2005 um convênio antidrogas com o Departamento de Drogas Americano (DEA), argumentando que os funcionários desse organismo faziam "espionagem" em seu país.

Maduro reiterou o êxito da luta antidrogas da Venezuela desde que suspendeu o acordo com o DEA, e que as acusações dos EUA contra o país nessa questão possuem um caráter meramente político.

O chanceler disse que durante a "conversa muito clara e muito franca" que manteve com Duddy, também transmitiu a ele sua opinião sobre a "política errônea" de Washington em sua tentativa de frear o avanço dos "Governos progressistas" na região.

"Os EUA devem respeitar a soberania aérea e a soberania política de nosso país (...) esperamos que haja o quanto antes (nos EUA) uma retificação histórica dessa política", afirmou Maduro.

O chanceler venezuelano também destacou que as recentes declarações do subsecretário de Estado Adjunto para a América Latina, Tom Shannon, nas quais pediu ao Governo de Chávez para esclarecer sua relação com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), "fazem parte da cadeia de erros" da política internacional americana.

Washington se "soma a este show publicitário apresentando de maneira infeliz pela Colômbia, e que pretende marcar a esquerda democrática da região e estigmatizá-la de terrorista, de guerrilheira", declarou Maduro.

Um relatório apresentado pela Interpol na quinta-feira passada em Bogotá indicou que não foram manipulados os computadores atribuídos ao abatido líder guerrilheiro das Farc "Raúl Reyes", os quais conteriam documentos que evidenciariam nexos entre os Governos da Venezuela e do Equador com esse grupo guerrilheiro. EFE gf/fb

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG