Venezuela convoca embaixador no Peru para consultas

O governo da Venezuela convocou o embaixador no Peru para consultas em sinal de protesto contra o asilo político concedido, na segunda-feira, a Manuel Rosales, principal dirigente da oposição venezuelana. Por meio de um comunicado divulgado na noite da própria segunda-feira, o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela afirma que a decisão peruana constitui uma afronta ao Direito Internacional, é um duro golpe à luta contra a corrupção e um agravo contra o povo da Venezuela.

BBC Brasil |

Ainda no comunicado, a Venezuela diz que dará "início a uma fase de avaliação integral de suas relações com o governo do Peru".

Também na segunda-feira, o chanceler peruano, José Antonio García Belaunde, disse esperar que o asilo concedido a Rosales "por razões humanitárias" não afete as relações diplomáticas entre ambos países.

Fuga

Rosales, que deveria ter comparecido a um tribunal venezuelano no dia 20, decidiu no final de março se esconder e abandonar o cargo de prefeito de Maracaibo, a segunda maior cidade da Venezuela.

O ex-candidato presidencial chegou ao Peru no dia 4 de abril, com visto de turista, mas só foi divulgada a presença dele no país no dia 19 de abril.

Para o governo venezuelano, Rosales deveria ter sido preso pelas autoridades peruanas e extraditado à Venezuela, onde é acusado de enriquecimento ilícito durante sua gestão como governador do Estado de Zulia (oeste do país).

O Ministério Público venezuelano afirma que Rosales pode ter desviado US$ 68 mil, crime que pode condená-lo a entre três e dez anos de prisão. O dirigente opositor, por sua vez, alega ser vítima de perseguição política por parte do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Somente depois de ter se tornado pública a fuga do político, um tribunal de Caracas emitiu uma ordem de prisão contra ele e, no dia seguinte, a Interpol também ordenou uma ordem de captura internacional contra o político.

As relações diplomáticas entre Caracas e Lima foram abaladas quando durante a campanha presidencial peruana, em 2006, quando o mandatário venezuelano declarou publicamente apoio a Ollanta Humala, adversário do atual presidente, Alan García.

Chávez e García trocaram farpas durante a campanha, mas logo depois as relações entre ambos países se estabilizaram.


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