Venezuela compra armas com financiamento russo

CARACAS (Reuters) - A Rússia concedeu à Venezuela um crédito de 2,2 bilhões de dólares para a compra de armas, disse no domingo o presidente Hugo Chávez, que esteve recentemente em Moscou. O acordo inclui a compra de 92 tanques T-72 e um sistema de mísseis S-300 para a Venezuela. Há dois anos, a Rússia aceitou vender o mesmo sistema S-300 ao Irã, mas adiou a entrega por causa das preocupações de Estados Unidos e Israel de que o material poderia servir para a defesa de instalações nucleares iranianas.

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Chávez alega que precisa defender a Venezuela e seus recursos petrolíferos de um eventual ataque norte-americano, que Washington nega estar planejando. Ele reiterou que Moscou está ajudando seu país no desenvolvimento da energia nuclear, mas garantiu que não tem intenções de produzir uma bomba atômica.

"A Venezuela não tem planos de invadir ninguém, nem de agredir ninguém, isso é o armamento necessário para a defesa nacional", disse o presidente em seu programa semanal de TV, depois de anunciar o empréstimo russo.

"Nós damos prioridade à educação, à saúde, dessa maneira se fez viável a aquisição de armamentos para o país", acrescentou.

O presidente, ex-coronel do Exército, disse que o S-300 é um sistema "tipo ouriço, porco-espinho", capaz de destruir aviões a uma distância de 5 a 300 quilômetros, graças a radares instalados em montanhas, costas e no subsolo.

ENERGIA NUCLEAR

Sobre a assistência nuclear russa, disse que será uma forma de a Venezuela se equiparar a Brasil e Argentina, que têm programas nucleares pacíficos. Mas disse estar preparados para acusações de que tentará desenvolver armas atômicas.

"Criamos com a Rússia uma comissão de energia atômica, e o digo perante o mundo: a Venezuela vai começar o processo para desenvolver a energia nuclear, mas não vamos fazer a bomba atômica, não venham nos encher."

Uma fonte militar russa disse à agência estatal de notícias RIA que a Venezuela comprará cem tanques por meio bilhão de dólares.

Além dos atritos com os EUA, Chávez também está rompido com a vizinha Colômbia, devido à cooperação militar entre Washington e Bogotá.

Nos últimos dois anos, Venezuela e Rússia firmaram cerca de 12 contratos de armas, equivalentes a 4,4 bilhões de dólares, segundo fontes russas. Isso inclui a venda de 24 aviões de combate Sukhoi, dezenas de helicópteros e 100 mil rifles AK-103

Os dois países também decidiram constituir um banco binacional, com capital de 4 bilhões de dólares, e conceder a firmas russas o direito de explorar um bloco da Faixa Petrolífera do Orinoco.

(Por Patricia Rondón Espín, reportagem adicional de Frank Daniel)

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