Venezuela começa a fechar 34 estações de rádio

Por Raymond Colitt e Ana Isabel Martinez CARACAS (Reuters) - Mais de uma dúzia das 34 estações de rádio que seriam fechadas pelo governo venezuelano saíram do ar no sábado, como parte das ações do presidente Hugo Chávez para ampliar sua revolução socialista para a mídia.

Reuters |

A associação de emissoras de rádio afirmou que 13 delas tinham parado de transmitir, após um anúncio na noite de sexta-feira feito pelo órgão regulador do governo, o Conatel, de que 34 delas seriam fechadas porque não cumpriam com as regulações.

Críticos dizem que as medidas atacam a liberdade de expressão e que os proprietários não tiveram chance de se defender.

"Eles estão fechando o espaço para dissidentes na Venezuela", disse William Echeverria, chefe do Conselho Nacional de Jornalistas, à RCTV, um canal de TV privado que não teve sua licença renovada em 2007.

Os partidários de Chávez afirmam que estão travando uma "guerra midiática" contra companhias privadas do ramo e denunciaram nos últimos dias o que dizem ser uma nova ofensiva na imprensa para abalar a Venezuela.

Diosdado Cabello, ministro da pasta que supervisiona o Conatel, declarou que algumas estações de rádio foram fechadas porque suas licenças não foram renovadas e outros transferiram as suas ilegalmente a novos donos.

O Conatel emitiu uma ordem à rádio CNB em Caracas antes do amanhecer para que suas cinco retransmissoras parassem às 8h da manhã, disse a empresa no seu site.

Na sede da CNB, centenas de funcionários e críticos do governo se reuniram para protestar contra o fechamento.

A CNB disse que continuaria a transmitir em seu site na Internet, www.cnb.com.ve.

"Esse governo se transformou em um mutilador de direitos", disse Juan Carlos Caldera, do partido oposicionista Primero Justicia, à Globovision TV.

OPOSIIÇÃO PEDE PROTESTOS

Antonio Ledezma, prefeito oposicionista de Caracas, pediu aos venezuelanos que protestem nas ruas.

Uma das cinco estações que parou de transmitir foi a Radio Bonita 1520 AM, na cidade de Guatire, a 40 km de Caracas.

"Quinze anos depois de o meu pai morrer, eles me disseram que as licenças não podem ser herdadas, estamos em choque", afirmou Felix Ali Obelmejia, diretor da Radio Bonita, à Globovision.

Cabello defendeu os fechamentos, dizendo que eles são parte do esforço do governo de democratizar a mídia.

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