Venezuela, Bolívia, Paraguai e Equador defendem moratória de dívidas

COSTA DO SAUÍPE - Os presidentes de Venezuela, Bolívia, Paraguai e Equador justificaram nesta quarta-feira a possibilidade de os países da América Latina e do Caribe declararem a moratória das dívidas que considerarem ilegítimas.

EFE |


Na entrevista coletiva de encerramento da 1ª Cúpula da América Latina e do Caribe, os líderes aprovaram essa possibilidade e respaldaram a decisão do equatoriano Rafael Correa de fazer uma auditoria da dívida externa do Equador e de pedir a arbitragem nos empréstimos que levantarem suspeitas.

"A moratória não foi declarada pela crise financeira, mas se tivéssemos que limitar os pagamentos pela crise, eu começaria pelo serviço da dívida. A moratória foi declarada pela ilegalidade e o abuso da dívida", disse Correa, ao justificar sua decisão de não pagar os juros de uma dívida de US$ 510 milhões em bônus globais.

O governante equatoriano afirmou que, após a crise do petróleo, começaram a aparecer nos países da América Latina alguns banqueiros dispostos a fazer empréstimos para qualquer coisa e para se livrar do excesso de dólares procedente dos altos preços do petróleo.

É preciso mudar a ordem das prioridades para "beneficiar os povos afetados por dívidas ilegítimas das quais não se beneficiaram e que foram concedidas com muitas condições", afirmou Correa.

Reuters

Em encontro, Correa fala sobre a decisão de fazer auditoria da dívida externa

"Dada a profunda crise econômica, financeira e sistêmica do capitalismo mundial e de todos os seus mecanismos, como a ditadura do dólar, estamos obrigados a rever tudo", disse o presidente venezuelano, Hugo Chávez, na entrevista coletiva.

"Assim como os países ricos estão revendo seu sistema, reduzindo ajudas e nacionalizando bancos, até o ponto que o companheiro (George W.) Bush parece estar lendo Marx, também podemos revisar tudo", acrescentou.

O chefe de Estado venezuelano assegurou que é possível estender a toda a América Latina a queixa de Correa no sentido de que seu país já pagou a dívida várias vezes e ainda deve o mesmo.

Além disso, lembrou que a Venezuela já protestou contra alguns empréstimos, pagou sua dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e baixou o peso de suas obrigações.

"Dívidas contraídas por ditaduras e Governos liberais atreladas à adoção de políticas neoliberais devem ser perdoadas e seus responsáveis têm que ressarcir nossos países pelos danos provocados com suas condições", destacou o presidente da Bolívia, Evo Morales.

Já o governante paraguaio, Fernando Lugo, informou que o Governo anunciou a revisão de sua dívida perante os compromissos que assumiu de exercer uma Administração honesta e transparente, características que, disse, estiveram ausentes em governos anteriores que "malversaram" a dívida e deixaram a conta à população. "Por isso, consideramos que temos que revisar a legitimidade de uma dívida paga suficientemente", afirmou o ex-bispo.

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