Nações Unidas, 29 set (EFE) - O embaixador da Venezuela perante a Organização dos Estados Americanos (OEA), Roy Chaderton, disse hoje na ONU que existe uma campanha para deter a extensão da democracia progressista pelo continente americano.

"A dissidência não é aceita por alguns na vizinhança global", disse o ex-chanceler venezuelano (2002-2004) em discurso na 63ª sessão da Assembléia Geral das Nações Unidas.

Ele destacou que aqueles que, no passado, aplaudiam os resultados das eleições na América Latina quando levavam ao poder políticas de livre mercado, agora não aceitam as vitórias de candidatos "classificados como vilões pela superpotência imperial".

Chanderton afirmou que "a democracia progressista esteve florescendo nos espaços latino-americanos e caribenhos, particularmente durante os últimos dez anos, da mesma forma como o continente esteve se inclinando rumo a profundas mudanças sociais".

O ex-chanceler venezuelano indicou que há em andamento "uma campanha" que tem como instrumentos alguns veículos de comunicação, dos quais "a ditadura global neoliberal se vale" para "ocultar seus crimes".

Ele mencionou como "servidores da extrema-direita" a rede de televisão americana "FOX", o Grupo de Diários América e a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP).

Além desses, mencionou ainda o "neocolonialista" grupo espanhol "Prisa", a cadeia de rádio espanhola "Cope", o jornal chileno "El Mercurio", o jornal mexicano "El Universal" e a televisão "golpista" venezuelana "Globovision".

"Os magnatas da imprensa privada são em si mesmos uma ameaça à democracia e à liberdade, alinhando-se com os interesses aos quais servem, enquanto envenenam a psiquê coletiva de segmentos sociais assustadiças", afirmou.

O embaixador venezuelano perante a OEA disse que de "uma conspiração contra as instituições legítimas" também participam "forças direitistas e racistas locais, desafiantes com apoios importados", que se encarregam de causar instabilidade social.

Nesse contexto, citou o choque entre o presidente da Bolívia, Evo Morales, com seus opositores nas províncias autonomistas do leste do país.

Chaderton também destacou em seu discurso "a política de desenvolvimento integral centrada no ser humano" realizada pela Venezuela através das missões sociais gratuitas que proporcionam serviços como educação e saúde.

O responsável venezuelano assegurou que, nos últimos oito anos, conseguiram diminuir a pobreza extrema, aumentaram a taxa de escolaridade em 10% e reduziram a mortalidade infantil de 23,4 a 13,4 mortes por cada mil recém-nascidos.

Além disso, ressaltou que o país contribuiu para criar "verdadeiros espaços de cooperação", como a Alternativa Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba), Petrocaribe ou a União de Nações Sul-americanas (Unasul), que estão "à margem dos interesses de dominação e predomínio característicos dos países desenvolvidos".

EFE jju/db

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