O governo da Venezuela adotou nesta terça-feira um plano de racionamento de energia que prevê cortes no fornecimento em todo o país. De acordo com a imprensa local, empresas de energia na capital, Caracas, e de dois Estados do oeste do país anunciaram nesta terça-feira que pretendem cortar o fornecimento por quatro horas diárias em dias alternados até maio.

Em uma declaração divulgada pela agência de notícias estatal Agência Bolivariana de Notícias (ABN), o ministro da Energia, Ángel Rodríguez, disse que as medidas visam manter o país em atividade e evitar que os níveis de água na represa de Guri caiam muito, o que causaria o colapso no setor energético.

"Estamos tentando evitar que Guri nos leve a uma situação muito grave até o final de fevereiro, um apagão geral no país", afirmou.

A represa, a principal da Venezuela, é responsável por 70% da energia do país, mas o nível do seu reservatório tem sido afetado pela seca.

O ministro afirmou à ABN que, se as medidas de economia de energia forem aplicadas da forma correta, a Venezuela poderá atravessar o período de estiagem - cuja previsão de duração é de cinco meses - até que as próximas chuvas comecem e a represa volte a ter níveis aceitáveis de água.

Turno de cinco horas
A medida foi tomada depois de o governo venezuelano ter anunciado, na última sexta-feira, uma maxidesvalorização da moeda do país, o Bolívar, e a adoção de uma taxa dupla de câmbio.

Posteriormente, o governo determinou o fechamento de cerca de 70 estabelecimentos comerciais acusados de aumentar seus preços, usando como pretexto a desvalorização da moeda.

Também na sexta-feira, o presidente venezuelano Hugo Chávez anunciou que os funcionários públicos, a partir da segunda-feira, cumpririam turnos de trabalho de apenas cinco horas diárias, para ajudar na economia de energia.

Para Ángel Rodríguez, com esta medida será possível diminuir até pela metade a energia consumida normalmente.

De acordo com a ABN, o ministro também afirmou que uma das formas mais eficazes de se economizar energia nos domicílios seria o uso de lâmpadas que consomem menos, entre 15% e 20% da energia consumida por lâmpadas normais.

E o presidente Chávez também afirmou que as famílias que conseguirem diminuir o consumo também terão descontos.

"Para aqueles que baixem o consumo em uma porcentagem significativa, eliminaremos boa parte da tarifa", afirmou o presidente, acrescentando ainda que o "consumo irresponsável", a seca e outros fatores colocaram a geração de energia hidrelétrica da Venezuela em uma "zona de alerta".

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