Caracas, 2 ago (EFE).- O ministro de Interior venezuelano, Tareq El Aissami, afirmou hoje que recentes casos de apreensão de drogas na Venezuela revelam que existe cumplicidade de algumas autoridades colombianas no tráfico internacional de entorpecentes.

Num programa da rede de TV "Televen", Aissami se referiu especificamente aos 1.129 quilos de cocaína originários da Colômbia apreendidos no fim de julho num porto venezuelano.

"Foram 1.129 quilos de cocaína que saíram da Colômbia sem que em nenhum momento tivéssemos sido alertados pelas autoridades sobre o carregamento. Ou seja, há uma cumplicidade por parte de algumas autoridades colombianas no tráfico ilícito de drogas. Isso é uma questão muito grave", disse o ministro.

O titular da pasta de Interior revelou ainda que, neste ano, a Venezuela já apreendeu 32 toneladas de diferentes drogas "que saem da Colômbia com total impunidade".

Ele lembrou que, "pelo terceiro ano consecutivo", a ONU declarou a Venezuela "país livre de plantações" relacionadas a drogas.

Em seguida, ressaltou que o país é uma "vítima" do tráfico entre Colômbia, principal produtor e exportador mundial de cocaína, e Estados Unidos, maior consumidor.

"Somos vizinhos do maior produtor de cocaína do mundo e somos contra o maior consumidor. Daí sermos nós os responsáveis é cinismo demais", disse Aissami.

Ainda segundo o ministro, os avanços obtidos pela Venezuela na luta contra o narcotráfico são reconhecidos pela ONU, por outros organismos multilaterais e pela União Europeia (UE), mas não pelos EUA.

"Temos 50 instrumentos e convênios de luta contra o narcotráfico com 37 países, sobretudo com a União Europeia, e somos reconhecidos como um dos países com a política mais efetiva nessa luta", afirmou o funcionário do Governo.

De acordo com o ministro, a detenção de chefões do tráfico e a apreensão de drogas aumentou consideravelmente depois que foi anulado o acordo que existia com o Departamento Antidroga dos EUA (DEA).

A Venezuela anulou esse convênio há três anos, sob o argumento de que os agentes do DEA atuavam como um cartel do tráfico, proibiam a entrada de venezuelanos em suas instalações e usavam drogas como chamarizes e faziam espionagem política. EFE rr/sc

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