Venda de esqueletos vira negócio rentável na República do Congo

Bebida é feita com restos mortais e corpo chega a valer US$ 42 mil em comércio ilegal

EFE |

A capital econômica da República do Congo, a cidade portuária de Point-Noire, vive imersa na psicose pela prática recorrente do tráfico de esqueletos humanos, os quais podem chegar a custar mais de US$ 40 mil.

O negócio ilícito levou muitas famílias do país a abrirem mão de seus rituais funerários tradicionais e a usar ácido nítrico nos corpos de seus entes queridos para acelerar a decomposição da carne e dos ossos para não serem roubados e vendidos.

O motivo dessa prática é a antiga crença de que esses ossos e tecidos mortos, ao entrarem em contato com certas substâncias, produzem bebidas que, supostamente, garantiriam uma vida bem-sucedida a quem a tomasse.

Esses sedutores efeitos motivaram o surgimento de uma rede criminosa no país e atraem de comerciantes a políticos, um fenômeno que a Justiça e as Forças de Segurança locais encontram dificuldades de combater pela falta de instrumentos adequados.

Um dos últimos episódios aconteceu no final de agosto, quando vários agentes da Polícia local prenderam duas pessoas envolvidas na venda do corpo de um jovem de 26 anos cujo tio não podia custear um enterro digno, o que o levou a oferecê-lo a um amigo.

A detenção desses dois homens, que estão sendo investigados, aconteceu graças à denúncia de um ex-funcionário do necrotério, que se recusou a fazer parte da venda do corpo, um negócio que, aparentemente, movimenta muito dinheiro.

Várias testemunhas entrevistadas pela imprensa local afirmaram que, por um morto, se chega a pagar entre US$ 31 mil e US$ 42 mil. Por este motivo, segundo as fontes, existe em Point-Noire uma rede criminosa que exuma e rouba corpos dos cemitérios locais depois dos enterros.

Em setembro, após uma detenção, a imprensa local voltou a publicar outra notícia sobre a intervenção e prisão de vários criminosos que traficavam corpos.

No entanto, o caso que alarmou as autoridades do Congo foi uma série de assassinatos cujos corpos apresentavam diversas mutilações, o que se somou à suposta fama de Point-Noire como destino turístico para transplante de órgãos.

"O Congo não tem experiência no transplante e conservação de órgãos. Trata-se muito mais de tráfico de objetos (as bebidas que garantem sucesso)", explicou um oficial da Polícia local à imprensa congolesa.

Já Christian Mounzeo, presidente da ONG Junta para a Paz e os Direitos Humanos, acredita que as autoridades não levaram a sério esses fatos e as critica por sua falta de empenho em combater esse fenômeno.

"Essas histórias de pessoas desaparecidas e comércio de corpos em Point-Noire são conhecidas há muito tempo. Por que não elaboraram uma lei sobre isso e condenaram os culpados?", pede o ativista, que suspeita que vários membros da elite econômica congolesa estão envolvidos com o lucrativo negócio.

Neste último ano, o fenômeno do tráfico de corpos parece ter se deslocado para o sul do país, a Point-Noire, já que em 2010 a Polícia local desmantelou vários grupos criminosos que realizavam atividades semelhantes nas regiões próximas de Niari e Lekoumou.

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