Venda de armas a Taiwan faz China suspender intercâmbios com EUA

A China, depois de alertar que a intenção dos Estados Unidos de vender armas a Taiwan poderia prejudicar as relações entre as duas nações e classificar a iniciativa como uma ameaça à segurança nacional, suspendeu os intercâmbios militares com a superpotência.

EFE |

"Este plano definitivamente prejudicará os laços entre China e EUA. Além de ter um impacto muito negativo nos intercâmbios e na cooperação entre os dois países, acarretará consequências às quais nenhuma das partes vai gostar de enfrentar", disse o vice-chanceler Eis Yafei antes da decisão chinesa.

Em uma nota publicada no site do Ministério de Assuntos Exteriores, o funcionário, que apresentou um protesto formal ao embaixador americano na China, Jon Huntsman, pedira aos EUA que reconhessem "plenamente a gravidade do assunto", revogassem "a decisão" e deixassem de "vender armas a Taiwan".

As declarações foram uma reação a um anúncio feito ontem pelo Governo americano, que manifestou ao Congresso a intenção de vender a Taiwan mais de US$ 6 bilhões em armamentos, apesar dos protestos da China.

No pacote, estariam incluídos 60 helicópteros Black Hawk, avaliados em US$ 3,1 bilhões, 114 mísseis Patriot (US$ 2,810 bilhões), equipamentos de controle conhecidos como Multifunctional Information Distribution Systems (US$ 340 milhões), dois navios para desativação de minas (US$ 105 milhões) e 12 mísseis Harpoon (US$ 37 milhões).

Os EUA, maior potência do planeta, e a China, a terceira maior economia do mundo, há 30 anos mantêm uma relação marcada pela interdependência econômica e por divergências políticas em relação aos direitos humanos, ao Tibete, a Taiwan e a questões de defesa.

A tensão entre as duas nações já tinha aumentado no começo do mês, quando o Google sofreu um ciberataque oriundo do país asiático e Washington saiu em defesa da companhia, que ameaçou suspender suas operações na China.

Outro fator que vem dificultando as relações bilaterais é o encontro que o presidente americano, Barack Obama, terá em breve com o dalai lama (líder espiritual tibetano), ao qual o regime comunista se opõe firmemente.

Mas Taiwan, sem dúvida, é um dos maiores motivos das diferenças entre EUA e China, já que Pequim considera a ilha parte de seu terrtório, apesar de ela se autogovernar desde 1949, e exige que Washington para de dar apoio militar ao Governo local.

Embora o presidente de Taiwan, Ma Ying-jeou, tenha conseguido uma aproximação econômica e social com a China desde que tomou posse, em 2008, as disputas políticas entre as duas partes não foram totalmente superadas.

Ma ainda acha que a ilha precisa reforçar sua capacidade de defesa contra Pequim, cujo poderio militar não para de crescer e que não renuncia ao uso de armas contra Taipé.

"A venda ajuda Taiwan a se sentir mais segura e confiante em seus intercâmbios com a China e impulsiona o desenvolvimento dos laços entre as duas partes do estreito de Formosa", disse Ma neste sábado.

A aprovação da venda reforçou a confiança taiuanesa no apoio americano e fomenta a paz no estreito de Formosa, onde já foram registrados avanços, disse, por sua vez, o Ministério da Defesa da ilha.

Já o Ministério das Relações Exteriores de Taiwan classificou a decisão do Governo de Obama "uma reafirmação de suas obrigações" com a ilha e uma demonstração do bom estado das relações bilaterais.

Em 1979, os EUA deixaram de manter relações diplomáticas com Taiwan para estabelecê-los com a China. No entanto, por meio da Ata de Relações com Taiwan, se comprometeram a reforçar a capacidade de defesa da ilha, da qual é o maior fornecedor de armas.

Caso o Congresso americano não se oponha ao negócio em um prazo de 30 dias, a venda das armas será efetuada imediatamente após este período.

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