Vencedora do Nobel da Paz é reeleita na Libéria

A presidenta Ellen Johnson-Sirleaf obteve mais de 90% dos votos em um segundo turno marcado por violência e boicote

iG São Paulo |

AFP
A presidente da Libéria, Ellen Johson Sirleaf, acena para partidários em Monrovia após anúncio do prêmio (07/10)
A vencedora do Prêmio Nobel da Paz e presidenta da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf, foi reeleita no país nesta quinta-feira com mais de 90% dos votos. Apesar da vitória, em seu segundo mandato, Sirleaf vai ter que lutar para provar a legitimidade de seu governo por conta de um boicote organizado pela oposição no dia do segundo turno das eleições.

Antes mesmo do resultado ser anunciado em uma eleição que tinha como intuito solidificar a paz no instável país, o líder da oposição, Winston Tubman disse que não aceitaria o resultado das eleições presidenciais.

A presidenta do Comitê Nacional de Eleição Elizabeth Nelson anunciou nesta quinta que Sirleaf recebeu 513.320 votos dos 565.391 apurados. O ex-diplomata das Nações Unidas levou apenas 52.071, ou cerca de 9%.

Na semana passada, Tubman convocou seus partidários para organizar um boicote nas eleições de terça-feira e muitos locais de votação foram fechados por conta da baixa participação . De manhã, muitos não tinham nem filas em suas portas. Pela tarde, mesários eram vistos descansando, com a cabeça apoiada em urnas vazias.

Ao todo, apenas 37% dos eleitores registrados compareceram às urnas, nem metade dos 71% do primeiro turno. “Nossa decisão antes dessa eleição é que não aceitaríamos esse resultado”, afirmou Tubman à Associated Press. “Nós estamos sendo pressionados por todos os lados, inclusive pela Casa Branca a participar de algo que sabemos que está contra nós.”

Leia também: Violência e boicote marcam segundo turno na Libéria

“A comunidade internacional não consegue ver o nosso caso, e nós queremos chamar atenção. Eles deveriam saber que nós não queremos apenas causar problemas. Eu não quero causar problemas. Eles não deviam nos ignorar. Essa foi a única maneira de nossa voz ser ouvida.”

Tubman acrescentou que todo o processo eleitoral funcionou em favor de sua oponente e que seu partido tem provas de que cédulas preenchidas inadequadamente.

Observadores internacionais negam que tenha existido qualquer fraude. Um deles, o Carter Center, disse que o boicote estragou a votação. “A decisão da oposição de boicotar a eleição estava baseada em sua afirmação de que a votação foi falha. Essas afirmações são infundadas”, disse o grupo em comunicado. “O boicote essencialmente nega que o povo da Libéria tenha uma escolha genuína dentro de um processo eleitoral competitivo.”

Muitos analistas acreditam que Tubman teria perdido as eleições mesmo se tivesse participado. Seu partido, o Congresso pela Mudança Democrática, teve 33% dos votos no primeiro turno no mês passado comparado aos 44% de Sirleaf. Ela, depois, garantiu o apoio do terceiro colocado, que teve 11%.

“Se você olhar bem, pode ver que Tubman certamente perderia. Ele tinha 12 ou 13 pontos nas pesquisas”, afirmou Stephen Elis, autora de “A História da Guerra Civil da Libéria” e especialista em estudos africanos. “É um cálculo óbvio que dá legitimidade ao governo. Se uma grande parte da população não se sentir legitimado, em um lugar como a Libéria, com sua história, se torna um pouco preocupante.”

Na véspera das eleições, partidários de Tubman entraram em confrontos com a polícia nas ruas da sede da oposição. Dois manifestantes morreram depois que a polícia começou a atirar com balas de verdade. Na mesma noite, o governo fechou algumas rádios de oposição, o que foi criticado pelos grupos de direitos humanos.

A guerra civil no país começou em 1989 e continuou até meados de 2003. Cerca de 25% da população morreu e o país ficou destruído. Soldados rebeldes jogavam futebol com crânios humanos. Eles criaram formas de tortura desconhecidas até então. A violência da polícia indica, para alguns analistas, que o país ainda está longe de alcançar a paz.

Com AP

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