Bruxelas, 3 mar (EFE).- A iraniana Shirin Ebadi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2003, desaconselhou hoje a intervenção militar ou a imposição de sanções econômicas contra o Governo do Irã como castigo pelas violações aos direitos humanos cometidos no país e, no lugar, apostou na negociação internacional.

Em declarações aos jornalistas antes de uma reunião, em Bruxelas, com o alto representante para a Política Externa e Segurança Comum da União Europeia (UE), Javier Solana, ressaltou que os castigos econômicos e militares prejudicam, principalmente, a população civil.

Por isso, pediu à comunidade internacional e, precisamente, à União Europeia que a garantia e o respeito aos direitos humanos seja um tema presente em qualquer negociação, independente do objetivo da mesma.

Além disso, lembrou que o Irã assinou e ratificou acordos internacionais sobre direitos humanos, por isso pediu que a Assembleia Geral das Nações Unidas exija ao Governo de Teerã a "melhora da situação".

"Espero que as diferenças entre o Irã e a comunidade internacional sejam resolvidas através da negociação e, se não houver resultados, sejam impostas sanções políticas", acrescentou.

Ebadi lamentou a repressão sofrida por ativistas, acadêmicos, jornalistas e dissidentes em forma de detenções arbitrárias, torturas, julgamentos secretos e, em alguns casos, execuções.

Também denunciou a discriminação vivida pelas mulheres e pelas crianças iranianas.

Sobre as eleições presidenciais que acontecerão em 12 de junho em seu país, se mostrou pouco otimista, já que, segundo ela, a população "não é livre" ao votar, porque se limita suas possibilidades de escolher mediante a prévia apresentação das candidaturas.

Shirin Ebadi, advogada e defensora dos direitos humanos, recebeu o Nobel em reconhecimento a seu trabalho na defesa dos direitos humanos e da democracia. EFE aal/an

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