Vencedor do Prêmio Sakharov começou vida de ativista lutando pelos antílopes

Pequim, 23 out (EFE).- Hu Jia - ativista chinês pró-direitos humanos, premiado hoje com o Prêmio Sakharov e atualmente preso por subversão - é um jovem de 35 anos que começou lutando timidamente pela proteção dos antílopes e que acabou formando um grupo de ativistas dedicado à denúncia de todas as injustiças que Pequim deseja esconder.

EFE |

O Prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, batizado assim em homenagem ao dissidente e cientista soviético Andrei Sakharov e concedido hoje, foi estabelecido em dezembro de 1985 pelo Parlamento Europeu para homenagear pessoas ou organizações que dedicam sua vida à defesa dos direitos humanos e liberdades.

Hu e sua mulher, Zeng Jinyan, burlaram durante anos a perseguição policial e se reuniram com advogados, peticionários, jornalistas e todo tipo de pessoas para coordenarem as denúncias e pedidos de maior atenção aos problemas "esquecidos" para uma China obcecada pelo rápido desenvolvimento.

Nascido em Pequim em 25 de julho de 1973, Hu iniciou seu ativismo na universidade, enquanto cursava a faculdade de Economia, dedicando-se inicialmente a temas ambientais e fazendo parte, nos anos 1990, da ONG Brigada do Yak Selvagem.

Nesta organização, dedicada à defesa do antílope tibetano - animal ameaçado de extinção -, começou a trabalhar também para a ONG Amigos da Natureza e, pouco a pouco, foi se interessando por outros temas fora do âmbito ecológico.

Na mudança do milênio se envolveu na prevenção da Aids dentro do Instituto Aizhixing de educação sanitária, onde criticou publicamente o sistema de saúde nacional e a discriminação governamental sofrida durante anos por pessoas com Aids ou hepatite B.

Hu, que tem hepatite crônica, sofreu discriminação. Este preconceito impediu durante anos que pessoas com esta doença entrassem no mercado de trabalho, enquanto as pessoas com Aids foram, durante os anos 1990, escondidas por Pequim, que considerava oficialmente o HIV um vírus "do exterior".

Em 2003, Hu foi um dos fundadores e dirigentes da associação Loving Source, que defende os direitos das pessoas com Aids e se ocupa dos órfãos da doença na província de Henan, onde passou longas temporadas até 2005 atendendo camponeses contagiados por transfusões incontroladas.

A detenção, em 2002, de seu amigo Wan Yanhai, fundador do Aizhixing e acusado de vazar "segredos de estado" sobre a propagação da Aids, levou Hu a mergulhar de cabeça em seu ativismo com campanhas que pediam a libertação de Wan e de outros indivíduos que criticavam o sistema.

A perseguição das autoridades a Hu começou em fevereiro de 2006, quando o jovem ativista ficou preso durante 41 dias sem que a Polícia assumisse sua detenção nem sua família fosse informada de seu paradeiro.

Hu acabava de apoiar uma greve de fome em protesto pela brutalidade policial na China.

De agosto de 2006 a março de 2007 Hu e sua mulher passaram 214 dias sob prisão domiciliar, o que não os impediu de continuar denunciando sua perseguição e a de seus amigos através da internet, principalmente pelo blog que Zeng escrevia na época. EFE abc/fh/fal

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