Veltroni se esforça para impedir vitória eleitoral de Berlusconi na Itália

O líder da direita italiana Silvio Berlusconi com chances de voltar ao poder nas eleições de domingo e segunda-feira, enfrenta o adversário de centro-esquerda Walter Veltroni, que luta para conquistar os votos dos indecisos no final da campanha, nesta sexta-feira.

AFP |

Veltroni, com um comício na Piazza del Popolo (Praça do Povo) em Roma, lidera uma batalha inédita pelos indecisos, que somam um terço do eleitorado, ou cerca de 16 milhões de italianos.

Antes "silêncio obrigado da mídia" a partir deste sábado, os dois líderes aparecerão separadamente nesta sexta à noite no programa de televisão "Matrix".

O magnata das comunicações e líder do Partido da Liberdade (PdL) não economizou ofensas a seu adversário, chamando-o de "mentiroso profissional" e de representante do "último traje do Partido Comunista" durante seu último comício realizado no Coliseu de Roma.

"Veltroni prometeu nomes novos mas apresenta a mesma velha guarda comunista de sempre", disse Berlusconi, que brinca com o público e provoca aplausos com seus comentários.

Os duros ataques a Veltroni, que evita responder sistematicamente, marcaram os últimos dias da campanha.

Apesar das últimas pesquisas divulgadas há 15 dias darem a vantagem a Berlusconi, ele pediu que os simpatizantes se mobilizem para convencer os indecisos, transformando-se "em missioneiros da liberdade e da verdade".

O rei das comunicações, de 71 anos, que seduz com suas frases o público tanto pelas aparições pela TV quanto ao vivo, reconheceu a necessidade do "voto útil" para obter uma ampla maioria no Senado, onde se decide o futuro da Itália.

Algumas pesquisas afirmam que haveria um empate virtual no Senado em algumas regiões do país.

A controversa lei eleitoral, em vigor desde 2005, tem sido fortemente criticada por Veltroni, que havia pedido uma reforma antes das eleições, o que foi rejeitado por seu rival.

"De acordo com as pesquisas, Berlusconi poderá contar com uma sólida maioria na Câmara de Deputados e uma maioria incerta, provavelmente inexistente, no Senado", escreveu por sua vez o La Repubblica.

Se Berlusconi vencer, irá retornar pela terceira vez ao poder, tendo que enfrentar a falta de crescimento do país, a crise do lixo em Nápoles e a difícil venda da Alitalia, próxima da quebra.

"Vamos ter que enfrentar muitos desastres", reconheceu com inusitado pessimismo Berlusconi, que anunciou "decisões impopulares" se chegar ao poder.

"Não gosto da expressão nem do conceito de voto útil, mas acredito que é a última oportunidade do Partido Democrático para evitar que deixemos o país para pessoas como Berlusconi e Bossi (líder xenófobo e populista da Liga Norte)", escreveu o cineasta Nanni Moretti, representando o mundo da cultura.

Mais de 400 artistas, músicos, escritores e cineastas, entre eles Bernardo Bertolucci, Giuseppe Tornatore e Roberto Benigni, além do jogador de futebol Francesco Totti, apoiaram publicamente nesta sexta-feira o candidato da centro-esquerda.

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