Roma, 15 abr (EFE).- Um dia após perder as eleições, o líder do Partido Democrata (PD), Walter Veltroni, reconheceu que sobre a derrota da centro-esquerda pesou o julgamento dos italianos sobre o Governo de Romano Prodi, que fez com que perdessem mais de 2,6 milhões de votos .

Os ex-comunistas Democratas de Esquerda (DS) e os centristas do Margarida, agora unidos no PD, eram as legendas mais importantes da coalizão União, que era liderada pelo ainda presidente do Governo interino, Romano Prodi.

Veltroni, em um encontro com a imprensa em Roma, reiterou a oferta que fez ontem ao vencedor do pleito, o conservador Silvio Berlusconi, para enfrentar imediatamente as reformas institucionais pendentes, entre elas a redução do número de parlamentares e a reforma do sistema eleitoral.

O líder progressista, cujo partido junto com o Itália dos Valores (IDV) do ex-juiz Antonio Di Pietro, será o mais importante da oposição, anunciou a criação de um "Governo na sombra".

Este "Governo da oposição" terá o mesmo número de membros que o formado por Silvio Berlusconi.

Falando de Berlusconi, Veltron disse que ficou "negativamente" surpreendido pelas primeiras declarações feitas pelo líder conservador em referência a que as presidências da Câmara dos Deputados e do Senado serão ocupadas por membros do Povo da Liberdade-Liga Norte e Movimento pela Autonomia, a lista com as quais venceu as eleições.

Veltroni afirmou antes das eleições que, caso vencesse, uma das duas presidências seria ocupada pela oposição.

O líder progressista "notou" nos homens da coalizão conservadora um "tom de auto-suficiência" e não gostou do anúncio de que o atual comissário europeu Franco Frattini será o próximo ministro de Exteriores, segundo anunciou ontem Berlusconi.

Veltroni lembrou que o conservador Frattini foi comissário durante o Governo de Prodi e se perguntou se esta "lógica" será mantida por Berlusconi, ou seja, um comissário oposto politicamente.

Sobre o PD, Veltroni afirmou que ele se consolida como um grande partido, com grande penetração nas cidades, onde alcançou entre 6% e 10% dos votos, e que agora tem que entrar em toda a sociedade italiana.

Ressaltou que, na centro-esquerda, as únicas forças que cresceram foram eles e seu aliado Itália dos Valores e considerou "um dano para a democracia" e um "erro por causa da lei eleitoral" que a coalizão Esquerda-Arco-Íris, sob a qual se apresentaram os dois partidos comunistas italianos e as legendas ecologistas, tenha ficado fora do Parlamento. EFE jl/fal

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.