Vela: Protesto sueco atrasa medalha brasileira

O time sueco da classe Star protestou contra a vitória brasileira da medalha de prata e conseguiu atrasar a cerimônia de entrega por meia hora, nesta quinta-feira em Qingdao, costa leste da China. Favorita até a véspera da regata da medalha, a dupla de Fredrik Loof e Anders Ekstorm estava com 33 pontos, 18 à frente dos brasileiros Robert Scheidt e Bruno Prada, e liderava o ranking geral.

BBC Brasil |

Mas na regata final chegou em último, na 10ª posição, e teve frustrados os sonhos de conquistar ouro e prata.

Logo após o fim da competição, o comitê olímpico emitiu uma lista oficial por ordem de chegada, onde constava que os suecos haviam ficado na 9ª posição - colocação que dava aos nórdicos a prata e ao Brasil, o bronze.

No entanto, após assistir a três vídeos de tira-teima, os árbitros verificaram que o 9º lugar pertencia à dupla francesa Xavier Rohart e Pascal Rambeaua e que a dupla escandinava realmente havia chegado em último. Concluíram, portanto, que a prata era verde-amarela.

Insatisfeitos por perder o ouro e a prata em uma final que já parecia ganha, os suecos desabafaram depois da regata.

"Nós tivemos um progresso muito bom ao longo da semana e nós tivemos uma boa briga com o Bruno e o Robert" disse Fredrik Loof na entrevista coletiva.

"Mas eu tinha a impressão, o sentimento de que íamos ganhar uma medalha."
Descuido
Para Scheidt, a breve animosidade com os suecos é prova de que não dá para descuidar do objetivo.

"Isso é um exemplo clássico de que a coisa só termina quando acaba. Porque com a pontuação que eles estavam na nossa frente era uma coisa praticamente impossível de acontecer o que aconteceu. Aquele meio metro que eles perderam para o (time) francês deu a medalha de prata para nós", disse o iatista.

"Quer dizer, é uma lição para a gente também, para quando a gente estiver na dianteira com alguns pontos. Poxa, não pode vacilar um segundo na regata porque tudo pode mudar. Com essa Medal Race, a coisa fica muito aberta."
A Medal Race, que é a última regata da série olímpica, tem pontuação dobrada e não pode ser descartada.

Fênix
Para Bruno Prada, além de uma grande improbabilidade, a conquista da prata foi um renascimento das cinzas.

"Operação Highlander, operação Fênix, sei lá como é que a gente vai chamar isso, mas a gente veio de um buraco de onde só gente que tem muita estrutura, muita capacidade e é guerreiro mesmo pra sair de onde a gente saiu", disse Prada.

O proeiro de Scheidt destacou que, por exemplo, a equipe italiana esteve nos primeiros dias ao lado da brasileira, porém acabou em 9º na colocação geral final.

"Ele (o time italiano) infelizmente não conseguiu ter a força, não acreditou que podia", lamentou Prada.

"Olimpíada é um campeonato muito mais psicológico do que físico", disse o velejador medalhista de prata.

Prada disse que os melhores velejadores do mundo são "educados para nunca desistir, nunca se render e lutar até o fim."
"Então, sempre acreditamos que poderíamos conquistar e vamos sempre tentar até o último minuto da última regata, então nós sempre acreditamos."
"Mesmo quando nós estávamos em 11º e 30 horas atrás, quando estávamos em 8º, ainda tínhamos chance de medalha e nunca desistimos", concluiu Prada.

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