Veja roteiro de viagem de Hillary Clinton à América Latina

(Reuters) - A primeira viagem da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, à América do Sul tentará tanto melhorar a imagem do governo Barack Obama na região e aumentar o apoio regional a um objetivo diplomático importante em relação ao Irã. A viagem, que começa neste domingo e termina em 5 de março, inclui duas paradas na América Central, que ainda luta contra os problemas gerados por um golpe de Estado em Honduras no ano passado.

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Veja a seguir, os pontos centrais do itinerário de Hillary:

URUGUAI - Hillary começa pelo Uruguai, onde ela participará da posse do presidente-eleito, José Mujica, em 1o de março.

Apesar de Mujica ter sido membro da guerrilha urbana de esquerda nas décadas de 1960 e 1970, a vitória eleitoral dele no ano passado foi vista como um referendo em apoio ao sucesso econômico da coalizão de centro-esquerda assim como um endosso a suas políticas estáveis.

O Uruguai tem boas relações com Washington, o ex-presidente George W. Bush, visitou o país em 2007, e o antecessor de Mujica já expressou interesse em assinar um tratado de livre-comércio com os Estados Unidos.

CHILE - Depois do Uruguai, Hillary viaja à capital chilena Santiago, uma parada que autoridades norte-americanas disseram que continuará na agenda apesar do terremoto de sábado que deixou mais de 700 mortos.

A agenda da secretária de Estado inclui reuniões em 2 de março tanto com a presidente, Michele Bachelet, que está deixando o posto, como com Sebastián Piñera, um conservador bilionário cuja eleição marca o fim dos governos de centro-esquerda, que estavam no poder desde que a ditadura de Augusto Pinochet caiu há 20 anos.

Piñera, um magnata que estudou em Harvard, deve manter relações próximas com Washington e deve dar continuidade às políticas econômicas que deram ao Chile um dos melhores padrões de vida da América Latina.

BRASIL - A visita de Hillary em 3 de março marca o ponto central da viagem e tem a maior importância do ponto de vista diplomático.

Uma potência regional emergente, o Brasil representa o primeiro contrapeso real a Washington no Ocidente e as relações entre os dois países nem sempre foram perfeitas.

O Brasil atualmente é um membro não permanente do conselho de segurança da ONU e espera-se que Hillary pressione o presidente Luiz Inacio Lula da Silva a apoiar novas sanções ao Irã por causa de seu programa nuclear, o que Brasília até agora tem hesitado em fazer.

O Brasil também quer que o governo de Barack Obama acabe com 48 anos de embargo econômico a Cuba, um pedido que Hillary provavelmente escutará em outras paradas na sua viagem.

Apesar disso, analistas políticos veem os EUA e o Brasil como parceiros naturais na região, como ficou claro na coordenação da resposta ao desastre haitiano no mês passado.

Lula, um dos primeiros chefes de Estado a visitar Washington depois da posse de Obama, desenvolveu um diálogo fácil com o presidente norte-americano que pode ajudar a aprofundar a cooperação diplomática.

COSTA RICA - A representante norte-americana continuará em direção à Costa Rica, onde, em 4 de março, ela é palestrante principal numa reunião do "Caminhos da Prosperidade", uma iniciativa apoiada pelos EUA que é vendida como uma maneira de parceiros da região espalhar os benefícios e consolidar ganhos econômicos.

Clinton também vai encontrar-se com o presidente costarriquenho, Oscar Árias, vencedor do Prêmio Nobel da Paz que teve um papel fundamental nas negociações que se seguiram ao golpe em Honduras no dia 28 de junho. Ela também se encontra com a presidente-eleita, Laura Chinchilla, uma protegida de Árias que vai tornar-se a primeira presidente mulher do país.

GUATEMALA - Hillary conclui a viagem com uma parada na Guatemala em 5 de março, onde autoridades norte-americanas dizem que ela vai encontrar-se tanto com o presidente, Álvaro Colom, como com líderes de outros países da região, para discutir questões relacionadas ao Haiti.

Entre os presentes, estará o novo presidente hondurenho, Porfirio Lobo, eleito em novembro depois do golpe que derrubou o ex-presidente Manuel Zelaya, mas cujo governo ainda não foi reconhecido por vários países importantes da região, inclusive Canadá, México e Brasil.

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