Veja a repercussão da ofensiva israelense na Faixa de Gaza pelo mundo

O ataque de Israel à Faixa de Gaza, iniciado no dia 27 de dezembro, já deixou mais de 560 mortos e cerca de 2,7 mil pessoas feridas. Diversos líderes mundiais se posicionaram contra a ofensiva militar.

Redação com agências internacionais |

Por meio de nota, o governo brasileiro disse que a "incursão militar terrestre na Faixa de Gaza tende a agravar ainda mais o conflito israelo-palestino ".

Reiterando declarações anteriores em que conclama ambas as partes a se absterem de atos de violência, o governo afirmou que apóia os esforços, inclusive no Conselho de Segurança da ONU, por um cessar-fogo imediato, de modo a permitir a pronta retomada do processo de paz.

"A realização de uma conferência internacional em seguimento à reunião de Annapolis, conforme proposta feita pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, constituiria passo importante para o restabelecimento da paz na região", diz a nota.

O comunicado acrescenta ainda que o pedido é feito "com base no reconhecimento do direito de constituição do Estado palestino e da existência de Israel em condições de segurança".

Presidente dos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, o presidente George W. Bush, acusou o Hamas de instigar a violência na Faixa de Gaza e afirmou que esse grupo conta com o apoio do Irã e da Síria. "Há 18 meses, o Hamas tomou o controle da Faixa de Gaza em um golpe e, desde então, importou milhares de armas, foguetes e morteiros, um ato de terror ao qual se opõe o legítimo líder do povo palestino, o presidente (Mahmoud) Abbas", disse.

Segundo ele, como parte de sua estratégia, os terroristas do Hamas freqüentemente se escondem atrás da população civil, o que põe palestinos inocentes em risco. "Infelizmente nos últimos dias morreram civis palestinos", afirmou.

Presidente da França

O presidente francês Nicolas Sarkozy afirmou que o movimento islamita Hamas "tem grande responsabilidade no sofrimento dos palestinos de Gaza", em entrevista concedida a três jornais libaneses.

"O lançamento da ofensiva terrestre israelense torna ainda mais urgente a necessidade de conseguir um cessar-fogo. Condenamos esta ofensiva junto com nossos parceiros europeus, porque afasta um pouco mais as oportunidades de paz, e porque dificulta o envio de ajuda à população de Gaza. Repetirei às autoridades israelenses que é completamente essencial que deixem passar a ajuda humanitária a Gaza", disse. "Mas, quero frisar que condenamos com a mesma firmeza a continuidade dos disparos de foguetes, que são uma provocação inadmissível", acrescentou.

Governo da Espanha

O primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, disse que "a força das armas sem atender aos danos enormes e irreparáveis à população inocente é um caminho sem saída " e que não levará à paz e à segurança de seu povo.

Em declaração realizada no Palácio da Moncloa, Zapatero expressou sua condenação e rejeição tanto a "condutas irresponsáveis e provocadores de ruptura da trégua" quanto a "reações absolutamente desproporcionais e contrárias ao direito internacional humanitário".

"Umas e outras só conseguirão afundar a região e os povos que a habitam de novo na desesperança e na frustração", disse Zapatero, antes de reafirmar o princípio "irrenunciável" de que a população "não pode ser tomada como refém dos conflitos políticos".

Presidente da China

O presidente chinês, Hu Jintao, afirmou "estar profundamente inquieto com a crise humanitária na Faixa de Gaza".

"Esperamos que as partes envolvidas cessem imediatamente as ações militares e o conflito armado, sigam para a distensão e criem as condições para uma resolução do conflito pela via política", declarou em comunicado oficial.

Presidente da Rússia

O presidente russo, Dimitri Medvedev, pediu o cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza, durante conversa por telefone com o líder palestino Mahmud Abbas, informou o Kremlin.

Ambos os dirigentes "falaram sobre o agravamento da situação na Faixa de Gaza, que causou numerosas vítimas entre a população civil e levou a uma difícil situação humanitária", segundo comunicado do Kremlin.

"Ambas as partes destacaram a necessidade de um cessar-fogo imediato", conforme o Kremlin.

Primeiro-ministro da Austrália

O primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, pediu uma solução para o conflito de Gaza que inclua um imediato cessar-fogo, a cessação do lançamento de foguetes do Hamas sobre solo israelense e o final do bloqueio dos territórios palestinos.

Rudd reconheceu o direito de Israel de se defender dos mísseis do Hamas, mas destacou que a escalada do conflito após a ofensiva do Exército israelense na Faixa de Gaza sublinhou "a absoluta importância de dar com uma solução diplomática ao conflito".

Ex-primeiro ministro Tony Blair

O ex-primeiro-ministro do Reino Unido e atual enviado especial no Oriente Médio, Tony Blair, afirmou que um cessar-fogo na Faixa de Gaza poderia ser alcançado em poucos dias se forem cortadas as rotas que fornecem armas ao Hamas.

Em declarações à "Rádio 4" da "BBC", Blair disse que todas as partes "responsáveis" na região deveriam trabalhar a favor de uma suspensão imediata das hostilidades.

"Há circunstâncias nas quais podemos obter um imediato cessar-fogo, isso é o que as pessoas querem ver. Estas circunstâncias estão centradas muito em torno de uma ação clara de cortar o fornecimento de armas e dinheiro através de túneis que vão do Egito a Gaza", afirmou. "Acho que se houver uma ação forte, clara, definitiva, nos dá o melhor contexto para um imediato cessar-fogo e para começar a mudar esta situação", disse o enviado do Quarteto de Madri para o Oriente Médio (formado pela ONU, Estados Unidos, União Européia e Rússia).

Segundo Blair, o movimento islâmico Hamas, com o qual ele e outros representantes internacionais se negam a dialogar, está em contato com o Egito.

O político admitiu que é "difícil julgar" se o Hamas está disposto a dar os passos necessários para acabar com a violência. "Eu espero que sim, porque, se realmente se preocupa com as pessoas em Gaza, há uma possível saída que poderia ser traduzida em uma interrupção imediata das hostilidades", acrescentou.

Sobre a situação humanitária em Gaza, Blair disse que é um "inferno" e há uma situação de "efetiva zona de guerra".

Secretário-geral da ONU

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, lamentou a divisão do Conselho de Segurança sobre a crise na Faixa de Gaza. "Dada a crucial conjuntura à qual chegamos na busca do cessar-fogo, apelo a todos os membros da comunidade internacional para que se mostrem unidos e comprometidos para acabar com esta crise", afirmou Kimoon.

Papa Bento XVI

O Papa Bento XVI defendeu "uma ação imediata para acabar com a situação trágica atual", e lamentou "a recusa do diálogo" que leva a situações que "prejudicam" as populações.

O pontífice também fez um apelo aos líderes "dos lados israelense e palestino" por uma "ação imediata para pôr fim à trágica situação atual" na Faixa de Gaza.

"Eu continuo acompanhando com uma viva apreensão os violentos enfrentamentos armados em curso na Faixa de Gaza. Ao mesmo tempo em que repito que a raiva e a recusa ao diálogo só levam à guerra, gostaria de encorajar as iniciativas e os esforços de todos os que tentam ajudar os israelenses e palestinos a aceitarem se sentar à mesa e conversar", disse o Papa.

Vaticano

As condições de vida na Faixa de Gaza são "contrárias à dignidade humana", disse o presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, cardeal Renato Raffaele Martino, em entrevista publicada pelo jornal italiano "La Repubblica".

O integrante do Vaticano reafirmou, assim, as declarações de que a Faixa de Gaza cada vez se parece mais com um "grande campo de concentração", e que geraram críticas de Israel.

O Ministério de Assuntos Exteriores israelense acusou o cardeal de usar "as mesmas palavras do Hamas".

"Que pensem o que quiserem", rebateu Martino, acrescentando que "só é preciso olhar as condições nas quais vivem as pessoas ali. Cercadas por um muro que não podem atravessar e em condições contrárias à dignidade humana".

Ministério da Itália

O Ministério de Assuntos Exteriores da Itália informou que o país apóia o direito de Israel à autodefesa, mas pediu que seja feito o possível para assegurar a proteção dos civis e o envio de ajuda humanitária.

Em nota, o departamento expressou sua "forte preocupação" pela "sorte de tantos civis inocentes em Gaza", e disse ter "sincera comoção pelo número de vítimas, que infelizmente aumentam a cada hora".

O ministério italiano destacou ainda o "quão grave e irresponsável foi a violação da trégua por parte do Hamas". Como é o país à frente da presidência rotativa do G8, a Itália se dispôs a organizar uma cúpula sobre o Oriente Médio e se ofereceu como sede de diálogo para que "a Liga Árabe, a Autoridade Nacional Palestina e o Governo israelense se reúnam para encontrar um caminho capaz de isolar definitivamente o extremismo".


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