Vegans são setenciados a cinco anos por morte de filha desnutrida

Joël e Sergine Le Moaligou alimentavam a filha Louise, de 11 anos, apenas com leite materno

iG São Paulo |

Um tribunal do norte da França condenou nesta sexta-feira um casal de vegans (que excluem de sua dieta todos os tipos de carnes e proteínas de origem animal) a cinco anos de prisão, sendo 30 meses em regime fechado, pela morte em 2008 de sua filha de 11 meses, devido à falta de cuidados médicos e a uma alimentação inapropriada.

"Não estamos aqui para fazer um julgamento sobre um modo de vida diferente, mas para decidir se esse homem e essa mulher cometeram uma falha nos cuidados que causaram a morte de sua filha", declarou a promotora Anne-Laure Sandretto. "Estamos aqui para dizer que no século 21, uma criança não pode morrer de fome sem que seus pais reajam em momento algum", acrescentou. A Procuradoria havia solicitado 10 anos de prisão em regime fechado.

Louise morreu no dia 25 de março de 2008 na casa dos pais, Joël e Sergine Le Moaligou, que hoje têm 45 e 40 anos. Preocupados com o enfraquecimento da criança, os pais haviam chamado os bombeiros, que apenas constataram a morte da criança em sua casa de Saint-Maulvis, no norte da França.

Quando os pais se deram conta da palidez e da magreza do bebê, chamaram os serviços de emergência. A bebê, que era alimentada por sua mãe exclusivamente com leite materno, pesava apenas 5,7 quilos contra uma média de 8 quilos nesta idade. A necrópsia revelou uma carência de vitaminas A e B12, que, segundo especialistas, aumenta a vulnerabilidade a infecções e teria sido registrada "devido a um desequilíbrio alimentar".

Argumentos

A Promotoria ressaltou "a cegueira, a certeza de estar com a verdade" do casal, não colocando em questão o amor que sentiam por Louise, mas lamentou que "apenas uma coisa tenha prevalecido nesse amor: suas convicções".

Muito desconfiados em relação à medicina convencional, os pais preferiam cuidar de seus filhos por seus próprios meios, com a ajuda de conselhos obtidos em livros. O casal possui outra filha, de 13 anos, que não teria sofrido o mesmo tipo de carência alimentar nos primeiros anos de vida. A filha primogênita recebia educação em casa desde que um patê de carne foi servido aos alunos no almoço da escola e os pais decidiram cancelar a matrícula da filha.

O advogado da mãe, Stéphane Daquo, disse que Sergine e Joël decidiram abraçar o regime vegan no início dos anos 2000, após terem visto um programa na televisão sobre o transporte de animais aos abatedouros. O casal não confiava na medicina tradicional e preferia tratar suas filhas com base em informações pesquisadas em livros, ele afirmou.

Sergine e Joël Le Moaligou poderiam incorrer, na teoria, a 30 anos de reclusão por "privação de cuidados ou de alimentos seguido de morte".

*Com AFP e BBC

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