Vázquez demonstra receio sobre possível presença militar dos EUA na Colômbia

Montevidéu, 6 ago (EFE).- O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, manifestou hoje a seu colega colombiano, Álvaro Uribe, seu respeito pelo princípio de não-intervenção em temas de outros países, mas reiterou a tradicional postura do Uruguai contrária a uma eventual presença militar estrangeira na América do Sul.

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Uribe chegou a Montevidéu na madrugada desta quinta-feira e passou algumas horas na capital uruguaia para se reunir com Vázquez antes de seguir para o Brasil, onde chegou agora à tarde, na última etapa de uma viagem relâmpago que o levou a sete países sul-americanos em três dias.

O objetivo da viagem é explicar aos Governos de Peru, Bolívia, Chile, Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil o acordo que a Colômbia negocia com os Estados Unidos para permitir o uso de sete bases das Forças Armadas colombianas por militares americanos.

Segundo um comunicado emitido pela Presidência uruguaia após a partida de Uribe rumo a Brasília, Vázquez manifestou ao presidente colombiano sua "plena observância do princípio de não-intervenção nos assuntos internos dos Estados como eixo fundamental nas relações internacionais".

No entanto, Vázquez também reiterou "a posição histórica do Uruguai contrária à existência ou estabelecimento de bases militares estrangeiras não só no país, mas também em qualquer outro da América Latina".

Além disso, acrescentou o comunicado, o presidente do Uruguai "defende mais uma vez a solução pacífica das controvérsias entre os Estados".

Ao fim da reunião, o governante colombiano deixou a residência presidencial uruguaia sem falar com a imprensa sobre o possível acordo.

No Uruguai, quem mostrou maior rejeição às conversas colombianas com os EUA foi o senador José Mujica, candidato do partido governante Frente Ampla nas eleições presidenciais de outubro.

O ex-dirigente guerrilheiro tupamaro disse à imprensa em Brasília, onde se reuniu hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que a "cada vez que (os EUA) se estabelecem na América Latina, é para complicar a nossa vida".

Segundo assinalou um porta-voz de imprensa do presidente colombiano desde Montevidéu, a viagem de Uribe estava sendo "construtiva" e tinha deixado já "bons juros", faltando a reunião com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.

O Governo de Uribe alega que o possível acordo com os EUA tem como objetivo a luta contra o narcotráfico e o terrorismo. Porém, vários países da região, liderados pela Venezuela, rejeitaram a presença de militares americanos na América do Sul.

"Este pode ser o primeiro passo para uma guerra na região, porque os EUA são a nação mais agressora do mundo", disse nesta quarta-feira o presidente venezuelano, Hugo Chávez.

Tanto o Governo colombiano, quanto o americano negam que o convênio bilateral em estudo seja uma ameaça para a estabilidade de determinados países ou da região em seu conjunto. EFE jas/bba

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