Carlos Moreno Brasília, 22 mai (EFE).- Uma Brasília esvaziada por causa do feriado de Corpus Christi receberá amanhã 11 chefes de Estado para a assinatura do tratado de oficialização da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

A cidade, bastante movimentada nos dias úteis pela agitação do Congresso e de outras instituições públicas, costumeiramente se torna uma cidade fantasma em feriados prolongados - e será num dia como este que nascerá a nova iniciativa de integração sul-americana.

A Unasul, cuja concepção começou há oito anos justamente em Brasília, sob o nome de Comunidade Sul-americana de Nações, terá a partir de amanhã um tratado constitutivo e um plano de ação destinado a integrar futuramente o Mercosul, do qual faz parte o Brasil, à Comunidade Andina (CAN).

O novo organismo multilateral, que contará com um conselho de chefes de Estado, outro de ministros de Exteriores e outro de delegados, terá uma secretaria permanente com sede em Quito, capital do Equador, e, no futuro, um Parlamento Sul-americano com sede em Cochabamba, na Bolívia.

Com exceção dos cerca de 300 católicos que se reuniram em frente à Catedral de Brasília para participar de uma procissão de Corpus Christi, o centro da capital brasileira estava praticamente vazio um dia antes do evento.

Diferentemente das cúpulas realizadas em outras cidades do mundo, que mobilizam centenas de policiais e militares para garantir a segurança dos líderes, a paz reinava em Brasília.

"Não sabemos de nada, sequer uma reunião de presidentes. O comandante só nos avisou que estava proibida a entrada de pessoas sem autorização", disse à Agência Efe o único guarda de turno na porta principal do Centro de Convenções Ulisses Guimarães, onde amanhã será assinada a ata de nascimento da Unasul.

Com exceção de alguns funcionários que acertavam detalhes de última hora, o Centro de Convenções estava deserto, inclusive sem policiais para impedir a entrada de curiosos.

Os únicos lugares em que era possível notar que um evento importante estava por ocorrer era nos três hotéis que hospedarão os presidentes sul-americanos, cuja segurança estava reforçada por soldados da Guarda Presidencial e de agentes da Polícia Federal.

"Certamente eles terão pouco trabalho porque a cidade estará vazia até segunda, quando todos começam a voltar. Nem a imprensa daqui informou sobre a reunião", disse o porteiro do hotel que servirá de hospedagem para os presidentes de Equador, Chile, Paraguai e Venezuela, assim como o vice do Uruguai.

Participarão da Cúpula da Unasul Brasil, Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela - que, a partir de amanhã, serão formalmente integrantes formalmente do novo mecanismo de integração. EFE cm/dp

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