Análises do PH da água contaminada que chegou ao Danúbio registraram nível 9, abaixo dos resultados de quarta-feira

O vazamento de lama altamente tóxica que devastou o oeste da Hungria chegou nesta quinta-feira ao rio Danúbio, o segundo mais longo da Europa, mas sua capacidade de contaminação foi reduzida substancialmente.

"As consequências para o Danúbio vão ser limitadas", disse Philip Weller, secretário-executivo da Comissão Internacional para a Proteção do Danúbio (ICPDR, na sigla em inglês).

Weller indicou que as medidas adotadas pelas autoridades húngaras "reduziram o nível de PH a uma escala tolerável", que terá impacto menor na bacia do Danúbio, embora a situação continue a ser acompanhada de perto.

As análises do PH da água contaminada que chegou ao Danúbio registraram um nível de 9, muito abaixo dos resultados de quarta-feira no rio Marcal, quando o índice era de 13. A toxidade causou a morte de toda a vida aquática em um raio de cerca de 40 quilômetros. Ainda assim, a alcalinidade continua acima dos níveis normais, de 6,5 a 8,5.

"A neutralização foi efetiva, mas não podemos cantar vitória ainda", disse Tibor Dobson, o responsável governamental pela coordenação dos trabalhos de descontaminação.

null Nivel tolerável

Apesar da redução da acidez a níveis toleráveis, foram registradas as primeiras mortes de peixes pela contaminação no Danúbio, embora em zonas muito limitadas.

Nos últimos dias, os esforços para diminuir a alcalinidade da água nos rios Marcal, Raba e Mosoni-Duna, afluentes do Danúbio, consumiram mais de 500 toneladas de gesso e ácidos.

Os especialistas consultados também confiam que a dissolução da lama seja muito mais rápida no Danúbio, por ser um rio muito mais caudaloso que os afetados até agora.

Alexa Antal, da WWF-Adena, também se mostrou otimista com os dados que reportam PH abaixo de 10, ou seja, "melhor do que se esperava", segundo indicou. Não sabemos o dano exato, mas achamos que não vai ser uma catástrofe", acescentou.

A contaminação dos afluentes do Danúbio é considerada uma das maiores ameaças que o desastre ecológico pode causar, afetando toda a bacia do segundo rio mais longo da Europa.

O vazamento de lama saturada de metais pesados da empresa de alumínio MAL, na última segunda-feira, alagou área de cerca de 40 quilômetros quadrados, com 7 mil habitantes, e causou a morte de quatro pessoas, além de ter deixado outros 150 feridos.

As organizações ambientalistas definiram o acidente como um dos piores desastres ecológicos ocorridos na Europa nos últimos 20 anos, e temem que as consequências sejam sentidas na flora e na fauna das regiões afetadas durante anos.

O próprio primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, assegurou na manhã desta quinta-feira que algumas áreas precisarão ser isoladas e que em alguns pontos contaminados "é impossível viver”.

É difícil encontrar as palavras adequadas para descrever isto. Se tivesse ocorrido à noite teriam morrido todos", previu Orban, em Kolontár, o povoado de 855 habitantes que foi o mais afetado pelo acidente.

As autoridades húngaras iniciaram uma investigação para apurar a possível responsabilidade da empresa húngara dona do dique de armazenamento que causou o desastre. A companhia, porém, insiste que não descumpriu nenhuma norma e, apesar da ordem das autoridades para que interrompa as atividades, adiantou que pretende reiniciar a produção de alumínio nos próximos dias.

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