Vazamento de radiação será resolvido em breve, diz especialista

Procedimentos necessários para bloquear fusão do reator de uma das usinas nucleares atingida pelo terremoto no Japão já começaram

iG São Paulo |

Reuters
Governo japonês leva moradores da região próxima à usina Fukushima 1 para abrigos, após identificar vazamento de radiação
A Tokyo Electric Power Company deve conter o vazamento de radiação na usina nuclear de Fukushima 1, localizada a 250 quilômetros a nordeste de Tóquio, em breve. A empresa já iniciou os procedimentos para parar a fusão do reator e assim conter a produção de gás radioativo. O procedimento consiste em adicionar uma mistura de água e ácido bórico dentro da cápsula de aço onde está o reator. “É uma questão de um ou dois dias até que a fusão pare”, disse o físico José Goldemberg, um dos principais especialistas em produção de energia no Brasil, em entrevista ao iG .

Como o vazamento deve acabar em breve, a preocupação agora é com a quantidade de radiação já liberada na região próxima à usina. Goldemberg explica que as usinas utilizam grandes quantidades de urânio para produzir energia (entre 200 e 300 kg) e, por isso, vazamentos de radiação podem gerar desastres de grandes proporções, como o ocorrido em Chernobyl, na Ucrânia, em 1986.

No caso de Fukushima 1, a Tokyo Electric Power Company e o governo japonês ainda não informaram a quantidade de radiação que vazou. Os níveis de radiação caíram após uma explosão na usina ocorrida na manhã deste sábado , já que os vapores que aumentavam a pressão dentro da cápsula do reator foram liberados. Apesar disso, o governo japonês aumentou o raio de isolamento em torno de Fukushima 1 de 10 km para 20 km e de 3 km para 10 km em torno de Fukushima 2. “Eles perceberam que a contaminação era maior do que anteciparam”, diz Goldemberg.

Antes da explosão, o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, informou que “quantidades mínimas de radiação” vazaram após Fukushima 1 ser atingida pelo terremoto que causou uma falha no sistema de refrigeração do reator. Segundo um pesquisador especializado em reatores nucleares, a quantidade de radiação liberada durante o vazamento está dentro dos limites estabelecidos pela Comissão Internacional de Proteção Radiológica (ICRP, na sigla em inglês) e, por isso, não deve causar prejuízos à população e ao meio ambiente. “A atmosfera dispersará aos poucos essa radiação.”

“O Japão tem 54 usinas nucleares preparadas para terremotos e as empresas têm experiência em resolver esses vazamentos”, disse o pesquisador. As usinas nucleares localizadas no Japão protegem seus reatores por vários sistemas de contenção e barreiras, como paredes de concreto com espessuras de um metro. Segundo ele, a situação poderia se agravar caso as usinas fossem atingidas pelo tsunami. “A usina poderia ficar submersa, o que dificultaria a resolução do problema.”

Quando os procedimentos para cessar a fusão do reator terminarem, as áreas próximas à usina devem continuar sob monitoramento até o governo japonês se certificar que os níveis de radiação diminuíram. Só depois os moradores da região poderão retornar as suas casas. “O único transtorno que a população enfrentará será o fato de ter evacuado a área até que a empresa resolva a situação”, diz o pesquisador.

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