Vaticano tenta tranquilizar judeus sobre reconhecimento a Pio 12

CIDADE DO VATICANO - O Vaticano procurou na quarta-feira assegurar aos judeus que sua decisão de aproximar o papa Pio 12 da santidade foi tomada em reconhecimento de sua fé cristã, mas não representa um julgamento histórico definitivo sobre seu pontificado.

Reuters |


O porta-voz principal do Vaticano, padre Federico Lombardi, divulgou um comunicado extenso explicando a iniciativa, numa tentativa evidente de acalmar as críticas de judeus e reduzir a temperatura da discussão antes da primeira visita do papa à sinagoga de Roma, no próximo mês.

Organizações judaicas mundiais reagiram com ira no sábado quando o papa Bento aprovou um decreto reconhecendo as "virtudes heróicas" de Pio 12, acusado por alguns judeus de ter feito vista grossa para o Holocausto.

Lombardi disse que o decreto de "virtudes heróicas diz respeito essencialmente ao testemunho de uma vida cristã, a seu relacionamento intenso com Deus e sua busca contínua pela perfeição evangélica".

Os dois passos que ainda faltariam para converter Pio 12 em Santo são a beatificação e a canonização, que podem levar muitos anos. O timing da decisão do papa, considerado insensível por muitas lideranças judaicas mundiais, lançou uma sombra sobre o plano do papa alemão de visitar a sinagoga de Roma, levando alguns a temer que a visita seja cancelada. Mas parece agora que ela deve acontecer.

Pio 12 foi papa entre 1939 e 1958. Alguns judeus o acusam de não ter ajudado os judeus, acusação que o Vaticano nega. O Vaticano alega que Pio 12 trabalhou sem alarde nos bastidores, porque intervenções diretas poderiam ter agravado a situação de judeus e católicos na Europa. Muitos judeus rejeitam essa posição.

Lideranças judaicas tinham pedido ao Vaticano que congelasse o procedimento que levaria à possível canonização de Pio 12, até que fossem estudados os arquivos do Vaticano relativos ao período da 2a Guerra Mundial.

O Vaticano diz que os arquivos mostram que Pio fez muito para ajudar os judeus durante a guerra, mas que será preciso esperar vários anos até que eles possam ser abertos plenamente a estudiosos, devido ao número maciço de documentos envolvidos.

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