Vaticano tenta acalmar judeus sobre prece da Sexta-Feira Santa

Por Philip Pullella CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O Vaticano tentou na sexta-feira tranqüilizar os judeus a respeito de uma nova oração, que segundo alguns representa um apelo por sua conversão.

Reuters |

A Igreja explicou que a prece não indica alteração na elevada estima dos católicos pelos judeus e no seu desprezo pelo anti-semitismo. Mas alguns grupos judaicos acham que apenas essas declarações não bastam.

A Liga Anti-Difamação considerou perturbador que o Vaticano não tenha 'dito especificamente que a Igreja Católica se opõe ao proselitismo em relação aos judeus' e acusou o Vaticano de 'dar dois passos à frente e três passos atrás.'

Em uma nota -- que segundo fontes do Vaticano foi aprovada e parcialmente redigida pelo papa --, a Igreja salienta que a nova oração, adotada em alguns ritos da Sexta-Feira Santa, 'de forma alguma pretende indicar uma mudança na estima da Igreja Católica pelos judeus'.

Fontes judaicas e católicas disseram que a mensagem foi entregue ao secretariado do rabinato-chefe de Israel.

O Vaticano tenta resolver a polêmica antes da viagem deste mês do papa aos Estados Unidos, onde ele vai reunir-se com lideres judaicos e visitar uma sinagoga de Nova York.

Em fevereiro, o Vaticano reviu uma polêmica oração latina usada por católicos tradicionalistas na Sexta-Feira da Paixão, retirando a alusão à 'cegueira' dos judeus em relação a Cristo e os pedidos para que Deus 'remova o véu de seus corações'.

Mas os judeus lamentaram que a nova versão ainda diga que os judeus deveriam reconhecer Jesus como o salvador de todos os homens.

A nota de sexta-feira diz que a relação com os judeus ainda se baseia na histórica declaração Nostra Aetate, do Concílio Vaticano Segundo (1965), que repudiava o conceito de culpa coletiva dos judeus pela morte de Cristo.

'A Nostra Aetate apresenta os princípios fundamentais que sustentaram e continuam a sustentam os laços de estima, diálogo, amor, solidariedade e colaboração entre católicos e judeus', diz a nota.

A Igreja 'rejeita cada atitude de desprezo e discriminação contra os judeus, repudiando firmemente qualquer tipo de anti-semitismo', acrescentou.

O rabino David Rosen, presidente do Comitê Judaico Internacional para as Consultas Inter-religiosas e importante interlocutor do Vaticano também disse esperar uma renúncia explícita ao proselitismo.

'Está implícito na nota que a estima e a solidariedade implicam que o proselitismo é inapropriado, mas eu ficaria mais feliz se isso tivesse sido dito explicitamente', disse Rosen à Reuters.

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