Assunção, 14 abr (EFE) - O Vaticano rejeitou hoje uma suposta dispensa da Santa Sé do ex-bispo católico Fernando Lugo se for proclamado vencedor das eleições gerais do próximo domingo no Paraguai, como afirma um jornal de Assunção.

A Nunciatura em Assunção informou em comunicado que "a suspensão 'a divinis'" imposta pelo Vaticano a Lugo após sua renúncia ao estado clerical, em dezembro de 2006, para se dedicar à política "constitui em uma sanção, e não em uma faculdade".

O órgão religioso respondeu assim a uma notícia do jornal "Abc Color", cuja manchete indicava que o "Vaticano dispensará Lugo se vencer as eleições".

O periódico, que atribui a "altas fontes eclesiais" a informação, disse que o ex-religioso, candidato da Aliança Patriótica para a Mudança (APC) e favorito nas últimas pesquisas de intenções de voto, poderia receber essa licença "para que não se diga que um bispo está na Presidência da República no Paraguai".

O documento da Nunciatura precisa ainda que é "praxis" do Vaticano "processar os fatos quando esses ocorrerem".

"A posição da Igreja Católica, expressada em documentos da Santa Sé e da Conferência Episcopal Paraguaia (CEP) sobre a situação canônica e atividade político-partidária" de Lugo "não variou", acrescenta.

A CEP considerou em um extenso comunicado emitido em meados de março, ao fim de sua 182ª Assembléia Plenária Ordinária, que Lugo continua sendo bispo, apesar de ter renunciado a seu estado clerical.

"Segundo o Código do Direito Canônico, um bispo da Igreja Católica continua sendo (bispo) para sempre, embora (esteja) suspenso em seus ofícios eclesiásticos", indicou a Conferência Episcopal.

A Constituição paraguaia estipula que os ministros de qualquer religião ou culto não podem ser candidato a Presidente.

A CEP Também reiterou que a "Igreja não propõe qualquer candidato e, portanto, não apóia nenhuma candidatura".

As pesquisas de intenções de voto divulgadas até agora pela imprensa concedem uma vantagem de mais de cinco pontos a Lugo, cujo vice é Luis Federico Franco Gómez, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), segunda maior legenda no país.

Em segundo lugar se alternam a ex-ministra da Educação, Blanca Ovelar, do governamental Partido Colorado, no poder há 61 anos, e o general reformado Lino Oviedo, da União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace). EFE rg/db

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