Vaticano rejeita acusação de discriminação por oração em latim sobre judeus

Cidade do Vaticano, 4 abr (EFE).- O Vaticano rejeitou hoje em comunicado as acusações de que despreza e discrimina os judeus com a reinstauração e nova formulação da oração em latim da Sexta-Feira Santa.

EFE |

Em 20 de março, o conselho dos Judeus da Alemanha denunciou a reformulação em latim desta prece, por considerá-la discriminatória contra sua religião, e a esta se somaram outras críticas de partes do mundo.

No comunicado emitido hoje pelo Vaticano, afirma-se que a nova formulação do "Oremus" "não quis, de forma alguma, manifestar uma mudança no comportamento da Igreja Católica a respeito dos judeus", expressado especialmente na declaração "Nostra Aetate" (1965), que selou a reconciliação entre ambas as religiões.

Em fevereiro, o papa Bento XVI mudou nesta oração a frase na qual se pedia a "conversão do povo judeu", que havia gerado muitas críticas, e substituiu por um "que ilumine seus corações para que reconheçam Jesus Cristo como salvador de todos os homens".

Mas esta mudança também foi criticada pelos judeus. O rabino chefe de Roma, Riccardo Di Segni, caracterizou de "um retrocesso de 43 anos que impõe uma pausa de reflexão no diálogo judeu-cristão".

O Vaticano acrescenta em sua nota que vários documentos da Igreja Católica "expõem os princípios fundamentais que apoiaram e sustentaram as relações fraternas de estima, de diálogo, de amor, de solidariedade, e de colaboração entre católicos e judeus".

Entre eles, o Vaticano destaca a "Nostra Aetate", que lembra "o vínculo particular com o qual o povo do Novo Testamento está espiritualmente unido à linhagem de Abraão".

A oração também "rejeita qualquer tipo de comportamento de desprezo e de discriminação em relação aos judeus e se repudia com firmeza qualquer forma de anti-semitismo".

O Vaticano espera que estes "esclarecimentos" contribuam para "resolver os mal-entendidos", assim como reitera seu desejo de que "os progressos obtidos na recíproca compreensão e apreço entre judeus e cristãos durante estes anos continuem crescendo". EFE ccg/bf/db

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