Por Silvia Aloisi ROMA (Reuters) - O Vaticano e o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, pressionaram o presidente da Itália para mudar sua posição e manter viva uma mulher em coma, no caso que dividiu o país de maioria católica sobre a questão do direito à morte.

O caso aumentou em proporção e se transformou em um impasse político após o presidente Giorgio Napolitano ter se recusado a assinar e legalizar um decreto do governo de Berlusconi autorizando os médicos a retomarem a nutrição por sonda da mulher.

Em um caso raro de discordância com o chefe de Estado, o Vaticano se posicionou publicamente ao lado de Berlusconi, pedindo que Napolitano reconsidere a ação e faça tudo o que puder para manter viva Eluana Englaro, de 38 anos, que está em coma desde 1992, após um acidente de carro.

"Eu acho que o governo está fazendo todo o possível para preservar a vida de Eluana", disse o cardeal Javier Lozano Barrgan, ministro da Saúde do Vaticano, segundo informou a emissora Italia 1 neste sábado.

"Nós pedimos a Deus para que o presidente da República possa reconsiderar... e encontrar um novo jeito de reconciliar esse decreto com a constituição italiana", disse o ministro.

Os médicos começaram a interromper a nutrição de Englaro na sexta-feira, seguindo a regulamentação da Suprema Corte da Itália que autorizou a morte da mulher, conforme pedido feito por seu pai.

Horas mais tarde, o gabinete de Berlusconi emitiu um decreto de emergência ordenando que eles retomassem a alimentação da paciente, mas Napolitano disse que a medida é inconstitucional, porque ela passaria por cima da decisão da Suprema Corte, e se recusou a assiná-la.

Berlusconi disse neste sábado que uma carta de Napolitano, explicando sua resistência ao decreto, abre caminho para a eutanásia, prática ilegal na Itália.

"Eu espero sinceramente que o presidente possa se distanciar da postura judicial que nós não aceitamos", disse.

O caso de Englaro tem sido comparado ao de Terri Schiavo, cuja morte foi autorizada nos Estados Unidos em 2005, após uma longa disputa judicial.

O pai de Englaro tem defendido sua posição nas cortes italianas por mais de 10 anos, dizendo que, antes do acidente, sua filha manifestou o desejo de não ser mantida viva artificialmente.

Médicos especialistas dizem que pode levar cerca de duas semanas para Englaro morrer. A maioria diz que ela não sofrerá dor.

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