O Vaticano vem lutando incansavelmente por uma reconciliação entre israelenses e palestinos, mas os laços que mantém com o lado palestino, onde fica a minoria católica, complicam suas relações com Israel.

Em sua mensagem ao mundo (Urbi et Orbi), pronunciada durante o domingo de Páscoa, Bento XVI lançou novamente um apelo a "esforços perserverantes e sinceros" para chegar à "difícil, mas indispensável, reconciliação, a primeira condição para um futuro de segurança comum e de coexistência pacífica".

Além do aspecto humanitário, este apelo à paz também é motivado pela preocupação do Vaticano com a preservação da presença cristã na "pátria terrestre de Jesus", segundo os termos do Papa, num momento em que a migração constante dos fiéis palestinos faz temer, a longo prazo, seu desaparecimento.

Mesmo que o Vaticano nunca tenha se referido a um Estado palestino, este interesse leva Israel a suspeitar de parcialidade, ainda mais porque o Vaticano e Jerusalém vêm travando duras negociações sobre os bens da Igreja na Terra Santa desde o estabelecimento de relações diplomáticas entre as duas partes, em 1993.

Anunciada há alguns meses por Israel e Roma, a visita de Bento XVI quase foi cancelada devido à ofensiva israelense contra o Hamas na Faixa de Gaza, que deixou mais de 1.300 mortos palestinos entre dezembro de 2008 e janeiro deste ano.

Bento XVI declarou então que "a opção militar não é uma solução, e a violência sob todas as formas tem que ser condenada com firmeza".

O cardeal Walter Kasper, encarregado das relações do Vaticano com os judeus, confirmara que o projeto de visita ficava "complicado".

O Papa terá durante sua visita a oportunidade de conhecer um pouco da vida dos palestinos, já que ele irá no dia 13 de maio a um hospital infantil de Belém e ao campo de refugiados de Aida.

"A programação prevista do lado palestino é muito rápida, e o Papa não terá nenhum contato real com a população palestina", lamentou, no entanto, um cardeal, que não quis ser identificado.

Em todo caso, a viagem de Bento XVI acontecerá num contexto muito mais complicado que o de 2000, ano da visita do Papa João Paulo II à região. Naquela época, as negociações entre israelenses e palestinos, impulsionadas pelo presidente americano Bill Clinton, estavam de vento em popa.

A recente chegada ao poder em Israel de Benjamin Netanyahu, que rejeita a ideia de dois Estados, parece prejudicar uma resolução pacífica do conflito. As posições palestinas também se radicalizaram com a chegada ao poder dos islamitas do Hamas na Faixa de Gaza.

"Bento XVI está na corda bamba: ele tem ao mesmo tempo que cuidar das relações entre Israel e a Santa Sé e mostrar aos palestinos que o Vaticano continua comprometido com a causa deles", resumiu o vaticanista John Allen, do National Catholic Reporter.

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