Vaticano lamenta morte de imigrantes em alto-mar

Cidade do Vaticano, 22 ago (EFE).- O presidente do Conselho Pontifício para os Emigrantes, Antonio María Vegliò, expressou hoje sua dor pelas contínuas mortes de imigrantes ilegais em alto-mar.

EFE |

O arcebispo também lembrou que todo imigrante é uma pessoa com direitos que devem ser respeitados em qualquer situação.

"Nosso Conselho Pontifício sente dor pela contínua repetição destas tragédias e reafirma o que disse o Santo Padre em (sua última encíclica) 'Caritas in Veritate': 'Cada emigrante é uma pessoa que, como tal, possui direitos fundamentais inalienáveis que têm de ser respeitados por todos em qualquer situação'", disse Vegliò à "Rádio Vaticano".

As afirmações do religioso foram feitas depois que dezenas de imigrantes da Eritreia morreram no Mar Mediterrâneo enquanto tentavam chegar à Europa a bordo de uma barca. Apenas cinco viajantes de um grupo de 75 pessoas conseguiram chegar vivos em terra firme.

Os sobreviventes, resgatados na quinta-feira pelas autoridades italianas, 12 milhas ao sul da ilha de Lampedusa, disseram que, dois dias antes do salvamento, uma patrulha das Forças Armadas de Malta se recusou a resgatá-los, oferecendo a eles apenas água, pão e coletes salva-vidas.

"Certamente, em nossas chamadas sociedades civis se desenvolveram sentimentos de rejeição ao estrangeiro, originados não só pelo desconhecimento do outro, mas também por um senso de egoísmo, com base no qual as pessoas não querem compartilhar com o estrangeiro o que têm", disse presidente do Conselho Pontifício para os Emigrantes.

"Depois, a situação chega ao extremo de o compartilhamento dos bens ser feito olhando-se para o bem-estar dos animais domésticos", acrescentou.

Segundo Vegliò, apesar de as tragédias com imigrantes acontecerem em outras regiões do planeta, "a realidade é a mesma": a da agressão contra seres humanos que tentam ir para outro país para fugir da pobreza.

"Existe um direito humano a ser amparado e socorrido. Isso se acentua em situações de extrema necessidade, como, por exemplo, estar à mercê das ondas do mar", destacou o arcebispo. EFE mcs/sc

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